Ruy Fabiano
Se depender de Lula, o PT será empurrado, daqui para a frente, para uma política de alianças que não se restringirá ao leque das forças progressistas. Lula teme pelo futuro do PT, que se tornou um partido de derrotados. Já disputou - e perdeu - duas eleições presidenciais e não vê, neste momento, chances de vencer a próxima.
Se a eleição fosse agora, não teria sequer candidato. Lula, internamente, já não é um nome acima do bem e do mal. O nome em ascensão é o do prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, que acaba de eleger seu sucessor, mas é contestado pela ala mais radical do partido.
Tarso, assim como Luiza Erundina e agora Lula, defende o estabelecimento de alianças com forças moderadas, do PSDB, PMDB e até do PFL. A palavra-chave, rejeitada nos meios mais puritanos do partido, é pragmatismo. Se o partido a tivesse levado em conta em outras oportunidades, possivelmente já teria chegado ao poder - ou ao menos não estaria em conflito com seus próprios governantes.
O PT vive situações paradoxais, que o afligem e que foram postas ao exame de seu Diretório Nacional, anteontem, em Brasília. É o partido de maior credibilidade no país, mas não consegue a preferência do eleitor para a Presidência da República. O eleitor confia no PT como uma espécie de consciência crítica, o vê como fiscal do interesse público, mas não avaliza seu desempenho no executivo.
A responsabilidade por isso cabe, antes de mais nada, ao próprio PT. Basta ver o comportamento conflitante entre o partido e os governantes que elege. Os maiores adversários dos governadores de Brasília e do Espírito Santo - sobretudo deste, Victor Buaiz, que está se desligando do partido - são os próprios petistas.
O senso mediano do público não entende como o partido que elegeu determinado governante pode transformar-se no seu maior obstáculo na hora de administrar. Difícil mudar isso enquanto o PT continuar sendo um estuário de interesses e ideários diferenciados. Lula acha que é hora de mudar. O PT levou uma lavagem do minúsculo PSB na eleição municipal. Perdeu feio em São Paulo para Maluf, personagem que um dia Lula chamou de competente, porque competia... e perdia. Maluf, até aleger-se prefeito, perdeu uma eleição de governador, outra de prefeito e outra de presidente. Lula perdeu duas de presidente, outra de governador. Tornou-se também competente, com a diferença que, neste momento, está sem mandato ou função.
Ele quer conectar-se com os adversários de Fernando Henrique, independentemente de ideologias: Brizola, Sarney, Itamar e o próprio Maluf. Quer derrubar a reeleição, reduzir a amplitude das reformas, fundar, em suma, uma oposição ao governo Fernando Henrique. Entende que, se o PT insistir em seu puritanismo, assistirá de camarote ao triunfo da dinastia FHC e de seu ideário neoliberal.
O colunista Luiz Geraldo Mazza, que escreve regularmente neste espaço, está em férias.





