À margem das rebeliões policiais país afora e das discussões em torno de nova política de segurança pública, os políticos continuam de olhos postos na sucessão. O agravamento da insatisfação estimula a idéia de candidatura conservadora alternativa à de Fernando Henrique.
O ex-presidente Itamar Franco costura, com a discrição possível (que não é muita), algo que está sendo chamado de união mineira. O que se sabe, até aqui, é que não há essa união e são remotas as chances de que venha a existir.
Itamar conversou com Hélio Garcia e Eduardo Azeredo. Garcia, ex-governador, quer ser senador - e há só uma vaga disponível nas eleições do ano que vem. Azeredo, governador, quer ser reeleito. Itamar quer ser uma destas três coisas, pela ordem: presidente, governador ou senador. A presidência depende de fatores que lhe escapam ao controle. Neste momento, não tem chances. Fernando Henrique é o favorito junto às bases políticas de Itamar.
Resta-lhe então uma de duas alternativas: compor-se com Fernando Henrique ou aliar-se à oposição e enfrentá-lo. Essa segunda hipótese, estimulada por Lula e Brizola, não atrai Itamar, sobretudo porque não quer ser coadjuvante. Quer ser o protagonista - e esse papel cabe a Lula.
A outra hipótese, compor-se com Fernando Henrique e tentar seu apoio para o governo de Minas, esbarra nos obstáculos já constatados por Itamar em seus contatos com Azeredo e Garcia. Azeredo, tucano e amigo do presidente, não abre mão de sua candidatura a governador - e cobra de Fernando Henrique lealdade a esse compromisso. Para o Senado, alternativa final de Itamar, há Garcia, que não pensa em ceder a vez.
Cogitou-se, dentro dessa utópica união mineira - e a expressão é de Hélio Garcia -, de uma chapa completa, com Itamar candidato à presidência, Azeredo para governador e Garcia para o Senado. Mas aí, além do isolamento a que seria submetido o ex-governador Newton Cardoso (PMDB), ninguém topa.
Ninguém, nas bases de Itamar, troca uma aliança com Fernando Henrique, líder nas pesquisas, por uma com o ex-presidente, a menos, claro, que o imponderável sobrevenha e mude radicalmente a paisagem política do país. Não é exatamente uma impossibilidade, mas também não é um dado concreto, que viabilize acordos.
Itamar está sem partido, assediado pelo PMDB, que namora a candidatura presidencial de José Sarney. Itamar não confirma nem nega sua candidatura presidencial. Não confirma nem nega também seu ingresso no PMDB. Sarney faz jogo semelhante. Diz que está disponível para a campanha e que haverá segundo turno, mas não sabe se o PMDB o escolherá. Tem pela frente Itamar, o que não é pouca coisa.
Fernando Henrique é politicamente beneficiário dessa confusão. Enquanto seus desafiantes dividem, ele continua somando.

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