Rússia comprará mais carne se Brasil importar trigo
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domingo, 09 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Pereiras O governo da Rússia quer transferir para o Brasil parte da forte relação comercial que o país mantém, atualmente, com os Estados Unidos. Com esse objetivo, uma delegação russa liderada pelo ministro de Alimentos de Moscou, Alexander Barburin, desembarcou neste domingo no Brasil e vai cumprir, até quinta-feira, 13, uma agenda repleta de encontros comerciais.
Na primeira rodada, que aconteceu ontem mesmo, a missão viajou até Pereiras, na região de Sorocaba, para um encontro com empresários do setor avícola. Hoje pela manhã, os russos reúnem-se com a imprensa no World Trade Center, em São Paulo, depois seguem para Brasília para reuniões nos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Econômico. À tarde, o encontro será com o vice-governador de São Paulo, Cláudio Lembo e, na quarta-feira, com a prefeita da capital, Marta Suplicy.
Estão marcadas reuniões da comitiva, integrada também pelo vice-ministro Victor Olkhovoy, pelo cônsul geral da federação russa Alexander Generalov e por sete empresários, com entidades setoriais como a Associação Brasileira de Exportadores de Frangos (Abef) e Associação Brasileira de Produtores de Carne Suína (ABPCS).
A Avicultura Céu Azul, que recebeu ontem a delegação russa, iniciou recentemente a exportação de frangos para aquele país. O potencial de exportação dessa carne estusiasma os empresários do grupo brasileiro. No ano passado, eles enviaram representantes a Moscou para negociar diretamente com o governo. ''Estamos iniciando um negócio promissor'', disse o diretor da empresa e da Câmara de Comércio Brasil Rússia, Franke Pavan.
No ano passado, os russos compraram 295 mil toneladas de frango brasileiro. O volume representa apenas um décimo do que foi comprado dos Estados Unidos. A Rússia já é a principal compradora da carne suína brasileira. Cerca de 85% das exportações de 2002 foram dirigidas àquele país, rendendo cerca de US$ 400 milhões.
De acordo com o presidente da Câmara de Comércio Brasil Rússia, Antonio Rosset, o sistema de cotas criado pelo governo russo não deve ser obstáculo para os negócios entre os dois países. ''As vendas diretas para o governo não estão sujeitas à restrição.'' Segundo o ministro Baburin, o governo russo busca um equilíbrio maior nos negócios entre os dois países. ''Hoje, compramos de 3 a 4 vezes mais do que o Brasil compra de nós.''
Segundo ele, um dos objetivos da missão é convencer o governo brasileiro a importar o trigo russo. ''Hoje, temos para exportar 28 milhões de toneladas anuais.'' O Brasil importa anualmente 10 milhões de toneladas, sobretudo da Argentina. Baburin acredita que em 4 ou 5 anos, o País será um dos principais parceiros comerciais da Rússia. ''Há uma grande simpatia entre o povo russo por tudo o que é produzido no Brasil.'' De acordo com o vice-presidente da Câmara de Comércio, Grigori Goldchleger, há outro fator favorável aos negócios com o Brasil: a maioria do povo russo ainda tem forte resistência a produtos americanos.


