Os deputados e senadores ruralistas não se intimidaram com a reação negativa do governo à possibilidade de negociar recuos na medida provisória que aumenta o Imposto Territorial Rural (ITR) em troca de votos pela reeleição. Eles vão continuar pressionando. ‘‘Um presidente que destrói a agricultura como o Fernando Henrique não merece ficar mais quatro anos no governo’’, afirmou o deputado Hugo Biehl (PPB-SC). ‘‘O presidente que vá procurar votos do Movimento dos Sem Terra, porque do jeito que ele tem agido será difícil obter o nosso apoio’’, insistiu o deputado, um dos principais líderes da bancada ruralista.
Em resposta, o líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA), afirmou que a bancada ruralista pode oferecer emendas e debater o projeto do ITR, mas a troca de apoio pela reeleição não vai ocorrer. ‘‘Posso afirmar que o governo não cederá em nenhum momento’’, disse Benito. ‘‘A resposta para qualquer tentativa de barganha será o não.’’
A bancada ruralista tem cerca de 140 votos na Câmara dos Deputados e pelo menos 40 no Senado. Toda vez que algum projeto tem reflexos na agricultura esse parlamentares se articulam em várias frentes. Ontem, enquanto Hugo Biehl dava declarações contrárias ao governo, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) tratava de atrair o ministro extraordinário de Assuntos Fundiários, Raul Jungmann, ao Congresso. Na terça-feira Marquezelli vai se encontrar com o ministro, desta vez no Ministério.
Os interesses comuns fazem até deputados e senadores atuarem em conjunto, o que é muito difícil no Congresso. Os ruralistas ignoraram acordo entre o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), o líder do PMDB, Michel Temer (SP), e o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), pelo qual o relator da medida provisória do ITR seria o deputado Rodrigues Palma (PTB-MT). Acionaram o Senado e exigiram o cargo de relator para o senador Jonas Pinheiro (PFL-MT), outro líder ruralista.
Impossível enfrentar O líder Michel Temer admitiu que é quase impossível enfrentar a força da bancada ruralista, que tem parlamentares de quase todos os partidos. ‘‘Vamos fazer muitas negociações, tenho certeza’’, afirmou Temer.
Inocêncio Oliveira também admitiu que não há como não negociar com a bancada da agricultura. Ele sabe que a pressão no plenário ocorrerrá de duas formas: o voto contrário à tese da reeleição ou a simples ausência da sessão, o que impede qualquer tipo de trabalho parlamentar que exija quórum alto. É o caso das emendas constitucionais, que têm de ser aprovadas por 308 deputados e 49 senadores, no mínimo.

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