Rumo de investigações já preocupa políticos
O alastramento da investigação dos escândalos vai evidenciando que o uso de contribuições não contabilizadas, para as campanhas eleitorais, foi sempre uma prática de todos os partidos. Já se manifestam sinais de que tudo poderá ''terminar em pizza'' o dito picante de que, ao fim de tudo, os personagens de alta projeção, envolvidos em vergonhas públicas, acabem ao redor desse manjar numa mesma mesa. É que muitos já se mostram apreensivos, porque as eleições estão relativamente próximas, e uma turbulência maior que a atual poderia tumultuar a paz social e não propiciar clima saudável junto ao eleitorado no corpo-a-corpo dos candidatos (à reeleição), na corrida pela caça de votos. Veja-se que já foi adiada a votação para a convocação do ex-ministro José Dirceu depor na CPI, ficando adiado também um possível depoimento do presidente do PSDB e ex-governador mineiro, o hoje senador Eduardo Azeredo, suspeito de ter se utilizado de caixa-2 na campanha de 1998. O caldeirão começa a vazar. Já não se fala da eventual cassação de Roberto Jefferson, antes defendida pelo presidente do PL (envolvido na denúncia do mensalão), mas este é o partido do presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti. O círculo vai se fechando, podendo asfixiar os que ficarem presos dentro dele, e parece que, falando-se genericamente, nessa questão de caixa extra de campanhas e outras irregularidades são poucos os que se salvam. Não se acredita que revelações novas de corrupção, que sejam devastadoras, venham a ocorrer. Agora, parece já não prevalecer a preocupação com as razões maiores da pátria nesse jogo de apontamento de suspeitos (e muito provavelmente culpados), porque a coisa vai se convertendo num grande espelho circular onde as figuras se entreolham e se identificam, algumas em primeiro plano e outras mais ao fundo. O caixa-2 a coleta ilícita de dinheiro para as campanhas políticas já é uma instituição nacional e largamente adotada em muitíssimas atividades, e em seus entornos se encontrará as impressões digitais de todos os partidos. As investigações devem continuar, os culpados devem ser punidos e os males extirpados, para que afinal se instaure a moralidade pública, tão em baixa neste país. Espera-se que, mesmo que tudo isso possa terminar numa rodada de pizza, os eleitores fiquem atentos para os nomes envolvidos e não cometam a imprudência de perder a memória. Eliminar o mais possível a sujeira, pela varredura pesada no momento do voto, validará o tanto desgaste ora sofrido e que compunge a nação inteira.





