Rumo à sucessão Estadual 2002
Não podemos falar em sucessão para governo do Estado simplesmente por falar. Há uma preliminar, que ninguém pode ignorar: a viabilidade de uma coligação para derrubar esse governador que aí está, Jaime Lerner. Os senhores pré-candidatos afirmam, com todas as letras, que assegurarão a nós, eleitores, os direitos grafados na nossa Carta Magna, mas suas palavras colidem com a nossa realidade e desmascaram o jogo político que aí está. O que eles (pré-candidatos) têm feito para a sucessão só se compara com o esforço gasto em condicioná-la. O agravamento deliberado da crise geral no mundo globalizado e a forma caótica em que se encontra nosso Estado são verdades que não se podem desprezar.
Mas, seja qual for a coligação a ser feita, não se pode esquecer de forma alguma que o atual governo alimenta um propósito evidente: gerar turbulência e, se possível, um estado de guerra montado a partir de cima. Não se esqueçam da viagem de Lerner para a Rússia com FHC. Seria mera cortesia? É lógico que não. Existem muitos interesses em jogo.
O cenário está pronto para um ato decisivo de defesa dos interesses e da ordem do Estado. O esquema rígido e austero do governador não foi afastado, e ele praticamente age, se omite e dita seus mandamentos por intermédio de seus assessores, sem piedade.
O propósito explicito é o de manter a transição como uma camisa-de-força política. A alternativa do atual governo está condicionada a empurrar pela goela do povo paranaense um candidato confiável, para defender as ideologias fabricadas por Lerner. Uma dessas ideologias, por exemplo, é a inoperância dos professores e funcionários das Universidades Estaduais em greve, atualmente. Ele terá uma grande bandeira, e isso já está ocorrendo: jogar a população contra a greve.
O que a oposição terá que fazer para uma coligação será muito simples: apresentar à população votante um candidato confiável e cumpridor de suas promessas. Mas esse candidato terá que estar crepitando no coração e nas mentes daqueles que necessitam de mudanças, para infundir a imagem de um governo democrático e sensível às causas do povo paranaense.
Que nos sirvam de lição os atos de mandos e desmandos desse governo irresponsável que aí está. Assim, um organismo espúrio, embutido no aparato de tomar decisões à revelia, deixará de existir. Nunca é demais afirmar: um candidato confiável será a saída perfeita e inteligente para combater o grupo do sr. governador.
Com exceção do candidato do governo, que ainda é uma incógnita, os demais candidatos de oposição, caso se unam, cultivam uma grande potestade, isso é uma questão óbvia. A oposição precisa apresentar um cacife político forte, muito diferente do candidato que o governo irá apresentar. Na verdade, o melhor que a oposição tem a fazer para extinguir a herança do sr. Jaime Lerner consistiria em fechar com um candidato único, mas isso dificilmente irá acontecer. Todos querem o poder. Esse é o mal dos políticos. O bom senso, infelizmente, anda distante da política e dos candidatos opositores.
Eles sabem que o povo paranaense foi desprezado e discriminado pelo atual governo, principalmente os habitantes do interior. Os candidatos sabem que esse povo sofreu as agruras do desprezo do sr. governador, mas o que está acontecendo com a oposição é uma disputa eleitoral palmo a palmo, ignorando, assim, os danos potenciais e os riscos reais de sua decisão. Eles vão apostar encontrar-se no segundo turno. Chegarão lá? E como? Só há um ponto positivo nessa divisão: a politização das classes subalternas e a democratização da sociedade como um todo, pois haverá vários candidatos para se fazerem as apostas.
A oposição ao atual sistema não poderá apegar-se em apenas uns três ou quatro itens impopulares do atual governador como símbolo para sua campanha. O homem tem a máquina administrativa em mãos e está disposto a usar de todos os artifícios para se perpetuar no poder.
O pessimismo é fomentado exatamente pelos que resistem às mudanças e gostariam de ver o nosso estado do Paraná condenado a repetir a trajetória atual, em escala ainda maior. Não podemos deixar que isso aconteça.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá





