O Brasil almeja há anos conquistar lugar de destaque no cenário internacional. A meta é ocupar uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), e o País tem feito campanha - ora ostensiva, ora velada - para conquistar aliados pelo globo que possam ajudar na realização deste ''sonho''. Nos próximos dias, ao que tudo indica, o País vai realmente conquistar um lugar de destaque, mas no Tribunal Internacional de Justiça em Haia (Holanda).
O imbróglio envolve a polêmica decisão tomada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no apagar das luzes do seu governo, de dar asilo político ao ex-ativista de esquerda Cesare Battisti. Julgado à revelia em 1993 na Itália, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos que teriam sido cometidos na década de 1970, quando era membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), ligado às Brigadas Vermelhas.
A decisão foi confirmada nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal. A libertação do ex-guerrilheiro teve impacto em vários países, e o governo italiano chegou a convocar o seu embaixador em Brasília de volta a Roma, um claro sinal de repúdio.
Na defesa de Battisti, fala-se que o ex-ativista sofreria, caso fosse mandado de volta ao seu país, risco de ''discriminação e perseguição política''. Argumento discutível, se levarmos em consideração que a Itália, diante de todas as suas peculiaridades, é uma democracia. Não estamos falando de nenhuma ditadura.
Entre as várias lacunas deste caso, uma pode ser considerada grave quando cometida por uma nação que quer ampliar seu papel nas relações internacionais: o desrespeito a tratados. Somente o acordo de extradição entre Brasil e Itália foi firmado há mais de 20 anos. Acordo este que foi ignorado em nome da ideologia do grupo que hoje ocupa o Palácio do Planalto e é responsável pela diplomacia brasileira.
Respeitar convenções e tratados deveria ser uma regra em qualquer nação que os assina. Essas são as ''armas'' que livram as relações internacionais das ideologias que estão no poder. Infelizmente, o Brasil seguiu rumo oposto.

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