Rumo à cultura da paz
Uma caminhada pela paz ontem em Londrina incluiu a cidade entre as 18 do País que realizam este importante evento, cuja meta é a conscientização da sociedade. Também destacou Londrina como a primeira cidade do Sul do Brasil a reunir parte de sua população numa concentração desse gênero.
Em boa hora, pois tal iniciativa ocorre justo no momento em que o número de homicídios ultrapassa a barreira do tolerável se bem que crimes, mesmo com menor incidência, são intoleráveis. Uma caminhada em busca da cultura da paz pode não estancar a sangria provocada pela violência. Mas será a consciência, esse impalpável estado que cada cidadão assimila aos poucos, que levará a sociedade a, num futuro próximo, lutar pela paz.
Se hoje os membros dessa sociedade caminham juntos contra a violência, lançam eles sementes que explodirão em canteiros de terras áridas. Alguns formados pela própria sociedade, que ao dar as costas aos seus problemas permite, mesmo que indiretamente, o crescimento de ervas daninhas a prevalecer sobre as plantas que revigoram o ambiente que acolhe pessoas. Outros implantados pelo Estado e adubados com os respingos das medidas exclusivamente interesseiras, ora beneficiando grupos restritos, ora prestigiando esquemas políticos, e assim alimentando a criminalidade como se dela participassem diretamente. Porque a omissão é apenas uma forma branda de envolvimento. Assim como os equívocos que se cometem sabendo-se que seus efeitos serão tão ou mais nocivos para a sociedade do que os atos cometidos propriamente pelos criminosos.
Reforça-se, portanto, como já enfatizado recentemente neste espaço, que a segurança ou a falta dela é reflexo da determinação política. Determinação política, por sua vez, é fruto da autoridade que os responsáveis por esta delicada área devem impor. Autoridade inclusive para punir legalmente funcionários públicos vinculados aos órgãos de segurança que cometem falhas no exercício de suas funções. Autoridade para saber reconhecer e valorizar outros tantos funcionários desses órgãos que, acima de seus interesses próprios, trabalham contra os criminosos para evitar que a impunidade ganhe pontos nesta batalha contra a violência.
Quanto à caminhada de Londrina, apenas uma nota mais triste: de uma população de pouco menos de 500 mil pessoas, apenas cerca de mil delas roubaram do domingo alguns minutos de descanso para caminhar e gritar pela paz.





