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São bem-vindos
os R$ 14 bilhões
que retornam ao
meio circulante
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Se o Governo federal terá de destinar até o final do ano R$ 14 bilhões para pagar precatórios e pequenas causas judiciais, isto é um rombo para o orçamento da União mas um grande bem para o povo. Porque esse dinheiro deixará de orbitar no cofre do Tesouro e entrará no meio circulante, fazendo giro para a economia, o que não acontece quando cai nas mãos do governo. A preocupação com esta conta tira o sono da equipe econômica do Governo, mas a nação brasileira festeja a semeadura desse capital, que baixará do caixa governamental e ingressará no sistema circulatório nacional. Assim, esse valor irá se expandindo, pela dinâmica da multiplicação, e ativando o desenvolvimento econômico. Esta é a função do dinheiro. Só nos primeiros quatro meses deste ano o Governo comprometeu R$ 4,5 bilhões para esse fim. A maior parte do rombo orçamentário (por volta de R$ 9 bilhões) se deve à decisão da Justiça de aprovar a correção (para cima) de cálculos das aposentadorias. Os tribunais, por natureza vagarosos, vêm agindo com rapidez, sobretudo no julgamento das causas de valores menores (em torno de R$ 15 mil por pessoa) e isso surpreendeu o Governo, acostumado com as táticas de ''empurrar com a barriga''. Os advogados entraram em peso nessas ações, orientando os credores e alcançando vitórias, porque trata-se de direitos legítimos. Uma das razões para a decisão veloz é a estratégia de mover ações individuais, ao invés das coletivas, para assim usufruir da agilidade dos juizados especiais. Se este é um problema para o Governo concentrador de renda, é um bálsamo para a economia, por tratar-se de um elevado montante fracionado em pequenas quantias, e em mãos de pessoas que, pelas próprias necessidades, irão gastando-as. Isto significa uma irrigação na economia das bases entenda-se o Brasil ''aqui em baixo'' pois esse dinheiro irá fazendo o seu giro e reproduzindo-se, e assim mais benefícios trazendo. O que os governos deixaram de pagar anteriormente, pela astúcia, terá de ser pago agora e com todas as correções. Cria-se um problema para o Governo, pois sua incumbência é pagar, sem protelações, mas o exemplo serve para alertá-lo de que deve melhorar sua gestão e evitar a criação de passivos futuros do gênero. Só essa conta velha ainda consumirá grandes somas também no ano que vem. Todas as correções não feitas, todos os débitos oriundos de empréstimos compulsórios, viriam um dia a acordar do sono letárgico, e é isto que agora acontece, e eles estão em fila na busca de quitação. O momento apela para a competência gerencial do devedor, e uma das saídas será buscar financiamentos que cubram a conta. A saudável ironia é que se a equipe econômica está inquieta, como se estivesse sendo lesada, esses R$ 14 bilhões retornando ao meio circulante farão um grande bem e, por isso, são bem-vindos.

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