Em Londrina, um decreto importado - porque presente em cidades como Florianópolis, Camboriú e Madri - proíbe o uso de fogos de artifícios e de artefatos pirotécnicos com barulho. Mais do que a proteção de cães, visa, por exemplo, a proteger além de outros animais, os idosos, os enfermos, crianças, portadores de deficiência, autistas. O Estado Democrático de Direito nos dá liberdade para duras críticas ao comportamento japonês. Traz também a certeza de que se você infringir a lei deverá receber a devida punição: moral e legal. Ainda que reduzidos, os ruídos dos fogos de artifícios em Londrina mostram que para muitos prevalece a máxima: aos infratores o rigor da lei, estejam aqui ou no Japão. Aos amigos e a si mesmos, mais do que apenas a lei, tem sido considerada a crítica a ela.
Há quem diga que, antes de se preocupar com cães, a prefeitura deveria olhar para os idosos, para a oferta de empregos, para a saúde, a violência. Entretanto a questão que se põe é: como esperar algo de alguém que sequer respeita uma "lei para cachorros"? Assim, para Mahatma Gandhi, a grandeza de uma nação e seu progresso podem ser medidos pela maneira como trata seus animais. Aqueles diriam "mas no meu tempo não era assim, no meu tempo cachorros apenas latiam e estava tudo bem". Saibam eles que parar no tempo não é exercício de pessoas e nem de sociedades inteligentes.
O mundo grego moldou o modo de vida do ocidente. Culturas, valores morais e inúmeros comportamentos humanos ocidentais encontram explicação nessa origem. A sociedade grega, desde os primórdios, espalhou um modo de ser, por exemplo, machista. Mulheres são tidas como inferiores, mesmo dentro da religião. É como se você pensasse, como pensa, há 2.500 anos, na mitologia, na filosofia, na religião, na ciência. É um legado maior, passa pela arquitetura, pelas artes, pelo teatro e nos entrega um modelo de democracia. Essa posta em prática por pessoas que procuram criar leis que favoreçam pequenas minorias economicamente privilegiadas. Isso sob o pretexto de ser uma democracia representativa. Mas nenhuma democracia efetiva usaria bordões segundo os quais as minorias que se curvem à maioria. Por excelência, democracia implica respeito às diferenças. Discordar é importante, mas respeitar é fundamental.
Do outro lado do mundo, do palco de bons exemplos, vem infelizmente uma medida na contramão da sensatez: o Japão anuncia sua saída da CBI, a Comissão Baleeira Internacional, e a retomada da caça comercial dos maiores vertebrados do planeta. No ocidente, o governo do Paraná regulamenta lei para criação e comércio de 61 espécies da fauna silvestre. A estupidez de se manter aves engaioladas é fortalecida e ampliada com respaldo legal. Exemplo mesmo é a Índia, que decidiu que pássaros têm direito de viver com dignidade, fora de gaiolas. Reconhece assim os direitos básicos dos animais como seres sencientes.

REGINALDO JOSÉ DA SILVA, biólogo e policial militar

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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