Rubem Azevedo Lima
Contrariamente aos desejos de alguns governadores e líderes do chamado PMDB governista, foram boas as reações ao lançamento formal do nome do ex-presidente Itamar, como um dos pré-candidatos à candidatura própria deste partido à presidência da República. Outros pré-candidatos são os senadores José Sarney, também ex-presidente, e Roberto Requião, ex-governador do Paraná. A leitura da carta de Sarney, na qual ele manifesta apoio ao nome de Itamar, não exclui, em absoluto, a hipótese de sua candidatura, em caso de necessidade.
Quanto a Itamar, vê-se agora que sua candidatura atende às aspirações de três áreas bem definidas. Primeira: as bases do PMDB em 27 diretórios regionais, com 13 mil vereadores, 1.300 prefeitos, seis milhões de filiados e 15 milhões de simpatizantes, em franca oposição à cúpula favorável à reeleição de Fernando Henrique, com oito governadores e três ministros, e à maioria dos 85 deputados federais e 21 senadores. Nunca se viu tanto distanciamento, num partido político, entre os que o apóiam nas urnas e a maior parte dos que se elegeram, graças a esse apoio, para cargos federais ou estaduais. Queiram ou não os governistas do PMDB, a realidade, hoje, é que a formalização da candidatura Itamar agradou às bases do partido. Os peemedebistas, em todo o país, estavam de crista baixa, vendo a maioria de sua representação federal a reboque do PSDB e do PFL, aparando migalhas de favores, sem nenhuma perspectiva de conquista do poder.
A candidatura Itamar agradou ao empresariado brasileiro, que vinha sofrendo as consequências de uma política econômica desnacionalizante. Ouvidos por José Maria Mayrink, do Jornal do Brasil, os empresários destacaram a atuação de Itamar, em pouco mais de dois anos de governo. O coordenador das chamadas bases empresariais lembrou que o ex-presidente, criador do Plano Real, adotara medidas importantes para nossa economia, como as leis de licitações e antitruste, e foi contrário à venda da Vale.
O nome de Itamar agradou também à oposição fora do PMDB, como, entre outras, a do PT-PDT e a do PPS. A chapa sucessória petista - Lula-Brizola - respira, agora, ante a perspectiva de ir ao segundo turno eleitoral ou ter, então, uma candidatura forte contra FHC.
A que se deve tanto interesse, entre os políticos da oposição, em contrapor-se à candidatura FHC? Apesar de seus feitos positivos, o conjunto dos efeitos negativos da política econômica do presidente - o que Bacon chamava de solecismos políticos - afetou a imagem do ex-professor de Sociologia. Hoje, ela se associa à politiquice fisiológica de suas alianças parlamentares e econômicas, que promoveram o desemprego, a devastação do patrimônio do país, o sacrifício de direitos dos trabalhadores, o sucateamento de nosso parque produtivo, o fim do crescimento independente do Brasil etc. Solecismos demais para uma reeleição.





