Rubem Azevedo Lima
Seis dos oito governadores eleitos pelo PMDB em 1994 apoiaram, em manifesto, a reeleição do tucano Fernando Henrique à presidência, em outubro: Antônio Brito (RS), Maguito Vilela (GO), Wilson Martins (MS), Mão Santa (PI), Garibaldi Filho (RN) e Valdir Raupp (RO). Dos outros eleitos, um morreu (Antonio Mariz, da Paraíba). Seu substituto, o vice-governador José Maranhão, também do PMDB, assinou o manifesto. Divaldo Suruagi foi afastado do governo alagoano, substituido por Manoel Gomes, do PTB. O catarinense Paulo Afonso, do PMDB, escapou de um impeachment e queria assinar o documento, mas os outros se esqueceram dele.
O que representam esses governadores nas eleições presidenciais? O controle da máquina administrativa, na maioria dos estados, significa, fisiologicamente, um poder não desprezível, mas limitado. Com os signatários da adesão a FHC elegeram-se 40 deputados peemedebistas às 107 cadeiras federais então em disputa. Portanto, em tese, tais governadores ajudaram a eleger cerca de 40% da representação federal em seus estados. Sucede que muitos deles se elegeram em alianças. Quantas dessas alianças serão mantidas? Tais governadores se elegeram quando o PMDB tinha candidatura própria à presidência. O mau desempenho do candidato do partido, à época, Orestes Quércia, não impediu a eleição dos signatários do apoio a FHC, nem que o PMDB, além dos 40 deputados citados acima, elegesse mais 67 nos resto do país, totalizando 20,91% da Câmara.
Admita-se que nenhum eleitor esteja arrependido do voto que lhes deu em 1994 e que votem, como nos velhos tempos, submissos às pressões governamentais. E, ainda, que os governadores, mesmo sem alianças, obtenham, se concorrerem à reeleição, o dobro da votação conseguida na eleição anterior. Teriam, todos eles, pouco menos de seis milhões de sufrágios. Seus estados somam, hoje, cerca de 18 milhões de eleitores. Em relação ao eleitorado brasileiro (aproximadamente 110 milhões de pessoas) isso representa menos de 17% dos votantes, cujos votos, pró-candidatura oficial, na melhor hipótese, não passariam muito de 6% do total a ser apurado em todo o país, em outubro.
O que se pode concluir do apoio dos governadores à recandidatura FHC? Politicamente, o gesto é importante, mas em termos, pois, na convenção do PMDB, eles controlam menos de 150 votos dos convencionais - e a votação será secreta - que decidirão sobre o lançamento, ou não, da candidatura presidencial própria. Eleitoralmente, o apoio que possam dar à reeleição, como se percebe, tem até menos importância, visto que a desobediência à decisão dos convencionais pode implicar o cancelamento do registro de suas candidaturas, pela justiça eleitoral.





