A Lagoa Tanganica, localizada no continente africano, tem águas profundas e serve como ambiente para a vida de crocodilos e hipopótamos. Em Londrina, a dona de casa Lourdes de Conceição, 47 anos, soube do significado do nome da rua onde mora, a Tanganica, apenas na manhã de quarta-feira, após 15 anos morando no local. ''Vim para cá ainda era rua de barro, nem placa tinha'', conta.
A Tanganica é paralela à Tanzânia, no Parque Ouro Verde (zona norte). No bairro, quase todas as ruas levam o nome de países africanos, como uma maneira de facilitar a sua localização. Mas a denominação mostra como são curiosos os nomes de alguns dos logradouros da cidade. Pelo menos na região central do município, 2 mil conjuntos metálicos que identificam logradouros estão sendo instalados ou trocados desde a segunda-feira.
Nos bairros, porém, irão continuar algumas curiosas situações. Como na Rua Estephania Michaliszyn von Stein, no Jardim Maria do Carmo, onde o quintal da autônoma Jandira Martins é visitado diariamente. O motivo: o nome da rua está afixado no muro de sua casa. E a pessoa precisa chegar bem perto para ler corretamente a grafia do logradouro. O nome também anda por escrito, em um papel, dentro da bolsa da autônoma. ''Já estou acostumada a ter que soletrar todas as letras, então levo por escrito para facilitar o cadastro'', argumenta.
No Conjunto Vivi Xavier, John Lennon está há poucos metros de Elvis Presley. Pelo menos quando o assunto é nome de rua. O conjunto leva nome de cantores, artistas e jornalistas famosos. A Rua Elvis Presley, então, sempre foi destino para reportagens, ou mesmo promoções. Ano passado, uma rádio encaminhou uma equipe até o local no aniversário do Rei do Rock. O morador que apresentasse um de seus discos, ou cantasse um trecho de alguma de suas conhecidas músicas, ganhava um brinde.
Alguns moradores têm real admiração pelo rei. Como o estudante e lutador amador de boxe Leandro Siqueiroli de Lima, 14 anos, que guarda em casa revistas e poster do cantor. ''Ele era muito bom, tinha grande músicas'', garante Lima. O fato de ter crescido em uma rua que leva ao seu nome também contribuiu para o interesse. ''O pessoal sempre brincou, achou diferente o nome'', ressalta.
Também no Vivi Xavier, está a Rua Maestro Erlon Chaves. Com a Banda Veneno, o maestro animou muitas festas ao som da música ''Eu também quero mocotó'', de Jorge Ben, no início da década de 70. A aposentada Maria de Lurdes Gerônimo, 68 anos, vive há mais de 20 anos no bairro, da qual é a segunda moradora, e não sabe bem quem era o ilustre que dá nome à via. ''Nem placa tinha aqui. A única coisa que eu sei é que ele era maestro'', admite.

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