RS e SC elegem Rigotto e Luiz Henrique
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domingo, 27 de outubro de 2002
Das Agências 
A vitória do peemedebista Germano Rigotto, 53, no Rio Grande do Sul, é a maior derrota do PT nas eleições estaduais. O partido usou a administração do petista Olívio Dutra como ''cartão de visitas'' durante a eleição deste ano, e dava como certa a vitória de Tarso Genro.
Com o resultado, o partido perde força no Estado, que administrou nos últimos quatro anos. Este movimento é exatamente inverso ao que ocorreu no restante do país, onde os petistas, de modo geral, melhoraram sua votação.
Tarso Genro ainda não decidiu qual será o seu futuro político. Provavelmente ele voltará a ocupar o cargo de prefeito de Porto Alegre, do qual se licenciou para disputar a eleição estadual.
Rigotto nunca havia disputado um cargo no poder Executivo. Em sua vida política, ele já foi vereador, deputado estadual e se elegeu três vezes consecutivas para o cargo de deputado federal. Nos últimos anos, ganhou destaque ao atuar como líder do presidente Fernando Henrique Cardoso no Congresso. Apesar disso, costuma dizer que ''muitas vezes'' teve posicionamentos contrários aos de FHC.
Rigotto discursou ontem à noite em Porto Alegre, quando sua vitória já estava consolidada, como governador eleito do Rio Grande do Sul e pregou uma união de todos os partidos, inclusive a oposição, para impor seu plano de governo ao Estado.
''Só amanhã daremos os passos necessários para buscar os apoios junto à sociedade para a construção de nosso projeto. A oposição terá o que caracterizou toda nossa campanha, que foi uma união pelo Rio Grande. Vamos dialogar com a oposição e negociar todos os projetos que tivermos'', disse o governador eleito.
Rigotto, que começou a campanha com poucas intenções de voto e deu uma arrancada na reta final, saindo da terceira posição para a primeira ainda no primeiro turno, agradeceu ainda a sua cidade natal Caxias do Sul. ''Quero mandar um abraço muito carinhoso para Caxias e toda a região, mas especialmente para Caxias, onde obtive uma votação histórica'', disse Rigotto, se referindo aos 61,99% dos votos que recebeu em sua cidade.
Santa Catarina O ex-prefeito de Joinville Luiz Henrique da Silveira (PMDB), 63, será o novo governador de Santa Catarina. Ele venceu nas urnas, numa das votações mais apertadas entre os Estados brasileiros, o favorito e atual ocupante do cargo, o governador Esperidião Amin (PPB), 54. Silveira teve 50,34% dos votos válidos contra 49,66% de Amin.
O peemedebista, que ficou atrás de Amin no primeiro turno, apostou na vinculação de seu nome ao do petista Luiz Inácio Lula da Silva para conseguir reverter a situação e vencer a disputa. No início do ano, Luiz Henrique chegou a ser cotado para ser vice na chapa de José Serra, mas se desentendeu com o tucano durante a campanha.
Depois que rompeu com Serra e embarcou na ''canoa'' petista, a popularidade do político cresceu entre os catarinenses. Seu desempenho nas pesquisas de intenção de votos começou a melhorar, culminando com a vitória. Na reta final, Luiz Henrique e Amin ficaram em situação de empate absoluto nas principais pesquisas. A igualdade fez com que os dois aumentassem a agressividade de seus discursos.
Os candidatos trocaram diversas críticas por meio da imprensa e no horário eleitoral gratuito. O tom foi se elevando até que os dois políticos caíssem em um verdadeiro festival de ofensas públicas.
Amin insistiu na tese de que Luiz Henrique representaria o ''retrocesso'' caso vencesse a eleição. O peemedebista, por sua vez, dizia que queria ser governador para lutar contra as ''oligarquias'' da política de Santa Catarina. O clima de confronto deverá se manter durante o governo, já que o PPB, partido de Amin, conseguiu eleger uma forte bancada na Assembléia Legislativa do Estado, e deve fazer oposição ao novo governo.


