Roupa limpa se suja em casa
Vivemos sob o signo da baixaria: na Câmara Municipal, uma briga de foice pelo poder reaviva o hábito de abrir armários e expor seus respectivos cadáveres por causa da eleição da Executiva e no Palácio Iguaçu perde-se a elegância no choque entre lerneristas e rafaelistas (leia-se áulicos, daqueles pegajosos).
Bastou haver a notícia de que o vereador João Cláudio Derosso estaria mais cotado para disputar a presidência do Legislativo municipal pelo situacionismo para que grupos contrários se mobilizassem com velhas denúncias, inclusive soltando fax da Veja Paraná, que abordou em 1992 a questão de um suposto suborno do cartel do transporte coletivo na eleição.
Na verdade, à exceção de Marcelo Almeida, na atualidade nenhum vereador tem moral para tratar criticamente do assunto, pois o próprio PT dele se esquiva, como se viu na frustrada CPI e que apuraria a gravação de uma conversa entre João Simões e um vereador. O relator, Natálio Stica, do PT, nada fez para impedir o arquivamento.
O grupo Pró-Cidade, criado para defender o lernerismo, hoje tem faixa própria e não conta mais com suas relações com o transporte, até porque João Simões curte um exílio na função, desde a eleição do seu irmão, quando peitou o governo e toda a sua estrutura financeira de campanha. Seu candidato natural é o presidente Íris Simões, que revela muito mais habilidade do que o seu irmão Carlos nessas ações de meio-de-campo.
Conta, para tanto, com o respaldo de grande número de reeleitos, incluindo os do PDT, e é uma força não desprezível. A denúncia com essas peças do passado tenta favorecer outra solução, hoje minoritária.
Já a carta, grosseiramente falsificada, de documento palaciano revela apenas que esse pessoal teria muito a aprender, em termos de know how, com o time do PMDB e, no entanto, mostra a realidade da disputa por espaços, tanto no governo como na prefeitura. Como é briga pelo poder dá para imaginar o quanto é difícil exigir elegância dos contendores, ainda mais quando o governador se mostra fraco para intervir nessas questões e em matéria de disposição perde, de longe, do burgomestre, Rafael Greca, como aliás se viu quando este impôs a sua candidatura contra a vontade daquele que, desde aquela época, preferia Cássio Taniguchi.
Como diz o refrão popular, roupa suja se lava em casa. Mas da mesma forma que se lava se suja, como se vê por esses edificantes exemplos.
BIZARRICE - Agora com o episódio do desvio de gasolina na Petrobrás voltou à baila a lenda comum ao tempo da construção do Centro Cívico, nos anos 50: uma sindicância tentava apurar irregularidades e ao examinar se havia ou não a apropriação de tijolos e cimento viram um estranho cidadão que entrava e saía, sem ser molestado, com um desses carrinhos de mão para conduzir pequenos materiais. Apurou-se, mais tarde, que o desvio era dos carrinhos mesmo. E o cidadão passava pela fiscalização como se tivesse sempre com o mesmo carrinho.
SPRAY - Joga-se pesadamente na eleição da Câmara Municipal: ora é uma emenda no orçamento que reduz a capacidade de manipulação do Executivo em créditos suplementares, ora uma que dá a gratuidade do transporte coletivo a alunos do 1º e 2º graus. - Objetivo é pressionar o governo para o acordo. Mário Celso é o autor desse e Mauro Moraes de outro que beneficia estudantes dos três graus com renda até cinco mínimos para obterem os 50% na tarifa. Como o cartel dos transportes agora está afinado com o governo, a prensa ocorre. Política é assim mesmo, como diria Macunaíma. - O PT, em nome da transparência, deseja o restabelecimento do Conselho Municipal de Transportes que avalisava tarifas. - Aljocir Esteves, hoje no Sul e que foi presidente do Country de Londrina, é um dos homenageados de amanhã na festa dos 50 anos. Aliás, a vida clubística é uma ponte integradora: Reynaldo Ramon, curitibano, craque de basquete e futebol, é presidente do Canadá Country. Se essas coisas singelas não teríamos aquele papelão na campanha eleitoral. - Para esclarecer o Senado, não permitindo que esse fique com uma visão parcial da cassação do mandato do senador Roberto Requião, o ex-deputado Hélio Duque enviou aos pais da pátria um dossiê resumido das provas coligidas naquele processo. É legítimo como também compreensível a solidariedade concedida ao paranaense. - Quando Duque desafiou Requião para o debate (claro que isso não convinha porque pesquisas davam dianteira considerável ao candidato do PMDB), o pessedebista disse: Requião, de mim você fugiu, mas da justiça você não fugirá, pois é para lá que vou enviar estas provas, que vão estarrecer a opinião pública. - Ipardes, através do Centro de Treinamento para o Desenvolvimento, realiza de 5 a 6 de dezembro (8h30 às 12h) um seminário sob o tema A nova administração pública brasileira: os desafios da reforma do Estado.
FOLCLORE - Quem foi o autor da carta fajutada intrigando Lerner e Greca? Uns dizem que é um velho habitante das sombras, outros que se trata de Mata-Hari, portanto mulher, a não ser que se trate de codinome. Descobrí-lo é tão fácil como quando se está num elevador e entre os seis ocupantes um deles solta gases. Normalmente o que faz o máximo ar de revolta é o autor. É infalível, como o mordomo em filme policial. Incrível que sempre esse é o que menos sofre com o miasma.
CROMO - Que tédio nessas tardes curitibanas: sem a presença de Lerner na terra não temos o cenário de arrebol, a majestade da lua cheia, o desmaiar sanguíneo do por-do-sol.





