Rótulo incomoda mulheres que fazem as orações
Muitas mulheres que fazem orações em benefício de terceiros não gostam de serem chamadas de benzedeiras. Como católicas, preferem serem vistas apenas como pessoas que receberam um dom de Deus e que são capazes de ajudar através das suas preces.
É o caso da dona-de-casa Judith Souza Freitas Costa, de 67 anos, que mora no Jardim California (zona leste de Londrina). ''Não sou benzedeira. Só faço orações. Essas outras coisas que as pessoas fazem são contra as leis de Deus'', justifica. Dona Judith aprendeu a benzer há mais de 40 anos, quando ainda morava em Minas Gerais. ''Criei dez filhos e toda vez que precisava levá-los para benzer eu pedia para a pessoa me ensinar as orações, porque não tinha muito tempo para ficar voltando sempre'', relata.
Hoje, ela diz que mesmo sem espalhar que faz orações muitas pessoas a procuram em busca de ajuda. Ela reza as orações conhecidas Pai Nosso, Ave Maria, Salve Rainha e também utiliza ramos de alecrim e brasas para tratar de doenças infantis como lombriga, quebranto e para ''cortar'' sustos. Ela também atende adultos. E para aqueles que não podem comparecer pessoalmente, Judith aceita que a pessoa passe apenas o nome completo por telefone. E ela garante que as orações funcionam. ''É preciso fazer de coração, porque é uma hora que a gente está mais próxima de Deus'', ensina.
A aposentada Ana Barbosa Viana, 78 anos, também não gosta de ser chamada de benzedeira. ''Rezo só para os mais conhecidos mas não sou benzedeira''. Ana aprendeu a fazer orações com uma avó postiça, em Montes Claros (MG), quando tinha apenas oito anos. ''Ela rezava e eu fui aprendendo a rezar também. Não tinha médico nem farmacêutico, então a gente fazia os remédios que Deus ensinava'', relata. Para o benzimento ser eficaz, ela dá a receita: ''A pessoa que procura tem que ter fé em Deus e Nossa Senhora. São eles que curam e não eu''. Há alguns anos, ela deixou de atender os desconhecidos que a procurava, por causa da idade e porque ''muitos não têm mais fé''.





