Londrina precisa de uma reformulação geral no trânsito. Palavras de um taxista a este Jornal, em reportagem sobre a situação do sistema viário. A palavra desse profissional tem a autoridade de quem circula por toda a cidade, e faz coro com o que se ouve dentre os que pilotam veículos nesta sede de região metropolitana. O enfoque da FOLHA foi a adoção do sistema de rotatórias, que são baratas, não exigem grande manutenção e permitem o rápido fluxo do tráfego, embora dificultem a travessia de pedestres.

Os que caminham pelas ruas não têm, na maioria das passagens, sinalização para eles, tornando perigosa a travessia. Como a Prefeitura pretende implantar mais 20 rotatórias - o que é uma boa solução - a questão dos pedestres precisa ser repensada. Não se pode apenas contemplar o veículo. Se há rotatória, o semáforo pode ser dispensado, porque o motorista sabe (ou deve saber) que o veículo que está no círculo tem a preferência.

São raros os casos de acidente nos cruzamentos onde existem as rótulas. Porque são os pontos onde há sinaleiro que causam mais acidentes, conforme estudo feito tempos atrás pela Volvo e divulgado nacionalmente. Numa grande cidade, como Assunção do Paraguai, por exemplo, existem pouquíssimos semáforos, e o número de choques de veículos é baixo. Porque os motoristas seguem a lei do fluxo, ou seja, se há possibilidade eles cruzam, ou esperam, sem correria. O sinaleiro de sete tempos é menos problemático, mas os predominantes em Londrina são ainda aqueles antigos. Este de sete tempos foi um invento de Maringá, a cidade que primeiro passou a adotá-los, e Londrina só muito tempo depois os instalou, e assim mesmo timidamente, como ainda hoje ocorre. No curto trecho central da Avenida Higienópolis, os encarregados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização ainda não acertaram o ponto de sincronização, que só funciona em metade desse percurso. Uma questão que não depende de dinheiro mas de simples ajuste.

Mas a reformulação do sistema viário é muito mais abrangente e exige estudos mais profundos. Semáforos inteligentes, ou mesmo ausência de semáforos, assim como a adoção de rotatórias, facilitam o tráfego, evitam acidentes e representam uma enorme economia de combustível. Veículos em espera diante de semáforos fechados em lugares onde o fluxo transversal é mínimo são um atraso e consomem tempo inutilmente.

Os estudos demonstram que em ruas e avenidas de escoamento o sinal verde tem de ser mais constante, ou eles terem luz intermitente, só como aviso de transversal mas tendo a preferência permanente. A administração que assumir em janeiro precisa dedicar tempo especial para um reordenamento de todo o sistema viário. Este deve ser inserido como um projeto de governo.

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