ROQUE NETO - 'A política é a arte do diálogo'
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de março de 2009
Marcos Cesar Gouvea<br>Especial para a FOLHA 
O prefeito interino de Londrina, José Roque Neto, disse que acompanhará a decisão do seu partido, o PTB, em relação às eleições majoritárias no dia 29, que escolherá entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT).
Acompanhado do presidente estadual do PTB, deputado Alex Canziani, Roque informou que a executiva do partido - da qual inclusive ele faz parte - está discutindo a questão. Ontem, até o fechamento desta edição, a executiva permanecia em reunião para definir o apoio. O prefeito também falou sobre a experiência de comandar o Poder Executivo e a importância deste fato para seu futuro trabalho como presidente da Câmara a partir de maio.
O senhor foi eleito para ser vereador, acabou presidente do Legislativo e promovido a chefiar o Executivo. Como tem sido a experiência?
A experiência é boa. Para mim é nova, mas a partir do momento em que nos reunimos para formar o gabinete, o secretariado, as coisas foram ficando mais fáceis. Mudando de uma administração para outra encontramos problemas e algumas dificuldades. Estamos trabalhando com tudo isso, tentando resolver. Criamos um grupo de propostas de trabalho com características de um governo interino. Nós sabíamos que não poderíamos fazer grandes licitações e estamos sempre agindo com muita cautela.
A tarefa é ficar mais no piloto automático?
É, estamos no piloto automático. Eu me preocupei com a limpeza, com os mutirões da saúde, próteses dentárias, ortopedia, otorrinos. Inauguramos várias coisas, por exemplo, o gabinete de gestão pública já direcionando para a formação da Guarda Municipal.
Aconteceu alguma surpresa desagradável na questão das finanças, nos números da Prefeitura?
Surpresas sempre têm, mas nas finanças não. Quando chegamos o Nedson (Micheletti) teve essa tranquilidade de deixar o caixa em boa situação e da forma clara que está aí. Algumas coisas agora que estão vindo à tona, exemplo dos contratos com terceirizados como a Visatec, outros contratos em relação à dívidas da Cohab. Fomos a Brasília, conversamos na Caixa Econômica Federal (CEF), tentamos acertar. Quer dizer, as coisas, os problemas vão surgindo e temos a tranquilidade e pessoas que nos ajudam a encaminhar e resolver.
Passada a lua de mel as cobranças sobre mato alto na periferia, problemas no transportes coletivo estão aí. O senhor já está sentindo essas cobranças aumentarem?
Nós pegamos um final de mandato. Dá impressão que no segundo mandato o prefeito (Nedson Micheletti) já estava um pouco cansado, meio desanimado. Então muitas coisas foram deixadas de lado. Não só a questão da roçagem. O mato não cresceu em dois meses. Ele já estava aí e com essa chuva de janeiro realmente acabou proliferando muito mais. Mas a grande preocupação que temos em Londrina é a questão dos terrenos particulares que não são limpos. Já sobre a questão dos ônibus, no dia 6 de janeiro revogamos o aumento porque gostaríamos de saber como que a tabela era constituída. Teve o aumento na tarifa e depois trabalhamos pela redução.
A arrecadação não foi a esperada. O que aconteceu?
Foi devido à questão global que estamos vivendo, que claramente atingiu Londrina. Muitas pessoas aceitaram pagar à vista pelo desconto. Com um grande desconto e pagando à vista, acaba reduzindo.
E a nova eleição? O prefeito Roque já declarou que vai permanecer neutro. Isso é definitivo?
O que eu descobri é que a política é a arte do diálogo. E hoje um vereador tem de caminhar junto com seu partido. Tenho que escutar toda a executiva do meu partido. Essa é a minha vontade pessoal. As coisas estão caminhando. Estamos conversando com o deputado Alex Canziani, que é o presidente estadual do meu partido, o PTB, junto com a executiva, com o presidente do diretório municipal Paulo Muniz, para que cheguemos a uma conclusão.
O senhor teve o privilégio de fazer um estágio no Executivo. Depois vai dirigir o Legislativo após uma turbulência enorme no ano passado. O que o senhor vai levar para a presidência da Câmara quando atravessar a Praça do Centro Cívico?
Para mim vai ser um momento importante. Ainda não fui vereador, fomos direto para o Executivo. Nós transitamos lá dentro, você conhece como funciona toda a máquina, vai ser mais fácil para trabalhar. Até mesmo, seja qual for o prefeito que vem, sabemos o quanto é difícil para se resolver algumas coisas. Não basta simplesmente dizer, como eu ouvi dias atrás, que para resolver ''basta ter o cheque e a caneta nas mãos''. As coisas não são bem assim. Quando eu for para a Câmara queremos fazer o que temos feito na Prefeitura, que é o trabalho sério, a transparência.
O senhor acredita que, com a renovação na Câmara, nós tivemos um salto qualitativo da legislatura passada para esta?
Cada cabeça uma sentença. Cada vereador tem sua formação. Eu tenho a minha formação de comunidade, minha formação filosófica, de raciocinar, de ponderar as coisas. Não simplesmente julgar. E a política é feita de situação e oposição. Alguns têm prazer de fazer oposição pela oposição, que acho que não leva a nada. Acredito que também existe uma oposição, vamos dizer ''sadia'', que possa realmente questionar. Por exemplo, mesmo que eu seja oposição, e venha um projeto bom do prefeito, não preciso votar contra só para satisfazer o meu prazer. Queremos acertar atendendo as aspirações da população.


