Romyne, meu anjo dourado - Dálio Zippin Filho
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Dálio Zippin Filho 
A vida vive nos pregando peças e ao mesmo tempo nos ensina muito. Eu me achava um super-homem e que nada neste mundo iria me derrotar. Hoje tomo uma nova lição. Aprendi que não sou nada forte e muito menos um super-homem, sou vulnerável e igual a todos, sofro da mesma forma. Julgava que os meus filhos estavam superprotegidos e que para eles nada de mal iria acontecer, mas aprendi que estava muito enganado.
Vocês são iguais a todos os filhos, frágeis e desprotegidos como qualquer um. Com esta lição aprendi o significado da dor da vida, que a vó Lili nos falava quando o tio Sérgio passou para o outro lado da rua da vida, uma dor doída que nunca passa. Quando um amigo do vô Dálio perdeu um filho, ele lhe mandou uma carta dizendo o seguinte:
Que é que poderei dizer, para que possais vos acalmar um pouco, achando o conformismo necessário aos vossos corações? Tudo o que eu disser será por certo pouco e, o pouco que consiga dizer, se Deus me ajudar, será muito. Como será que acontecem coisas como estas? Vosso filho não mais faz parte dos vivos. Partiu tragicamente para o mundo dos espíritos. Será que foi Deus quem quis? Será que Ele não tem pena? Será que Ele não sentiu a perda de um filho? Será que Ele conhece o que acontece a qualquer de nós, quando um filho, momentos antes era vida e momentos depois deixou de existir? Como será possível que com tudo isso ainda possam os pais viver? Como tal tristeza não ocasiona também a morte aos que ficam sofrendo desesperadamente? Que é isso, amigos? Será mesmo que é Deus? Sim, meus queridos amigos! Tudo isso emana de Deus e é só Ele quem determina. Ele é quem dá a vida, e é Ele quem dá a morte. Somente a Ele é dado conhecer os Seus próprios desígnios! Ele é quem nos dá amor e a efêmera felicidade que possuímos. É Ele quem de um instante para outro nos transporta da sensação paradisíaca para os páramos da irremediável dor. Ele nos dá os filhos, que alegram nosso lar, que são os olhos da nossa alma e que reúnem em si a razão de nosso viver, cheio de lutas, com forças antagônicas e desproporcionais, para a nossa insignificante pequenez. Para que soframos, para que evoluamos em espírito, passados do riso da felicidade às lágrimas da agonia, chegando a perder num minuto aquilo que mais queremos e mais amamos, com a triste obrigação de nos conformarmos, por que Ele quis e somente Ele sabe o que mais convém aos nossos filhos. Mas, se Deus também chora e vibra como nós, pois dele somos partícula, tenhamos a certeza de que também Ele está em prantos pelo desencarne do vosso querido filho. Abraça-vos quem, sendo pai, avalia a vossa dor.
Romyne, você foi o anjo dourado que passou pelas nossas vidas para iluminá-las e nos mostrar como a vida é bela, que valeu a pena viver ao teu lado, conhecê-la, aprender a dar amor sem pedir nada em troca, e principalmente a difícil arte de cativar amigos que você sabia fazer com maestria. Você não morreu; partiu antes para nos esperar. Querida filha, siga com as estrelas, escale novas montanhas, percorra infinitamente os caminhos da Ilha do Mel e dance na lua como você sempre quis.
Exupéry disse: As estrelas são belas por causa de um anjo que não se vê.../ Quando olhares o céu, de noite,/ Porque habitarei uma delas/ Porque numa delas estarei rindo,/Então será como se todas as estrelas te rissem!/ E tu terás estrelas que sabem rir!
Você é o nosso anjo dourado que agora habita as estrelas, rindo com elas, deixando saudades e muito amor aos teus pais, irmãos e amigos. Que a paz das montanhas continue sempre contigo. Beijos do teu pai.
- DÁLIO ZIPPIN FILHO é advogado em Curitiba


