Até onde a manutenção de juros altos contém a inflação é uma questão acadêmica, que tem adeptos e opositores. Países como os Estados Unidos têm baixíssima taxa de juros e a inflação é igualmente baixa. O empresário José Alencar, vice-presidente da República e também ministro porém com entendimento mais de empresário que de governante volta a declarar, enfático, que é preciso ''romper com o regime de juros altos'', e ataca indiretamente o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. Com a autoridade de capitão de empresas e de quem não pode ser demitido da função de vice-presidente, pode lançar dardos contra as políticas do Governo, e diz acertadamente que os brasileiros aprenderam de maneira errada o verdadeiro significado da palavra economia. Ao alfinetar membros da equipe econômica, diz que economia é algo representado ''pelos setores primário, secundário e terciário e pela infra-estrutura, e não pelos ministérios''. O desabafo do velho crítico dos juros altos se deve ao fato de que, no primeiro trimestre deste ano, foi de apenas 0,3% o crescimento da economia brasileira (portanto quase zero), quando se sabe que ''sua potencialidade é gigantesca'' enfatiza. Por questão de ética, disparou labaredas ainda no grau de ''fogo amigo'', mas seus efeitos são contundentes, contrastando com o falante ministro José Dirceu, já conhecido pelos seus pronunciamentos pouco consistentes. Como os que fez ao contrapor-se a Alencar e dizer que ''os juros estão aí para combater a inflação'' e que o Governo ''está fazendo a sua parte e reduzindo os impostos e os custos da infra-estrutura'', o que na verdade não se viu em ponto algum. Mas Dirceu viaja em seus delírios e faz afirmações assim como quem atira no escuro como a de que ''o País deverá crescer 4% neste ano'' e criar 1 milhão e meio de empregos. Só não diz porque tal não existe qual o projeto que resultará na ocorrência desse crescimento. Seria irrelevante essa falácia se não partisse de um ministro de Estado, que exerce grande poder de influência no Governo e tem o privilégio de confabular em colóquios com o presidente da República, em função de antigos laços de militância. Não à toa certos disparos verbais de Lula têm semelhança com os sonhos de noite de verão do companheiro Dirceu. José Alencar, embora respeitado, não desfruta desse intimismo e por isso seu ''fogo amigo'' encontra adeptos no seio das classes produtoras e comercializadoras mas não tem grande respaldo na comunidade palaciana mandante. Um Governo péssimo que admite seus erros ainda é melhor porque deixa acenos de esperança do que aquele que acha que tudo vai bem e que suas políticas estão certas, mesmo que a verdade mostre o contrário, como um crescimento econômico próximo do zero.

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