Parece que o ministro Roberto Rodrigues desejava mesmo que houvesse febre aftosa no Paraná, por alguma birra pessoal ou sabe-se lá com coisa pior e de maior tamanho, ainda não identificada. Porque já se vai uma semana depois que foi confirmada a ausência da moléstia nos rebanhos paranaenses, e o Ministério da Agricultura e Pecuária ainda não assinou ato revogando a interdição da área, que ocorreu quando suspeitou-se que a doença poderia ter entrado no Paraná após a detecção do foco em Mato Grosso do Sul. Os prejuízos que o Estado vem sofrendo são gigantescos, mas isto mantém a estranha resistência do ministro, que está se comportando como um irresponsável. Se o temor de a aftosa ter chegado por aqui semeou inquietação, a demora daquela autoridade em declarar o Paraná zona livre do mal está causando tanto estrago quanto seria capaz o próprio vírus. Recorda-se que foi o ministro quem semeou o alarma, ao declarar publicamente que havia 90% de possibilidade de estar contaminado o gado procedente do vizinho Estado que entrou no Paraná para a feira Eurozebu, realizada em Londrina no começo de outubro, uma semana depois que foi descoberto o foco em fazenda de MS. A postura de Rodrigues, com a demora em liberar oficialmente o Paraná desse tormento, está gerando a suspeita de que aquela sua drástica afirmação de três semanas atrás já era um caso pensado para prejudicar o Paraná. Ontem, o Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná entrou com mandados de segurança na Justiça Federal do Paraná e no Superior Tribunal de Justiça, pedindo a revogação imediata de todas as barreiras sanitárias impostas. Se os exames de laboratório atestaram a ausência da aftosa no Paraná, não se sabe o que deseja agora o ministro. Talvez alimente uma macabra esperança de que a doença venha a manifestar-se, de alguma outra forma, pela emanação de seus supostos agouros. Se tal é ou não é verdadeiro, tudo está indicando que pode ser. E o que fazem as representações do Paraná nos Parlamentos, em Brasília, que não vão diretamente ao presidente Lula denunciar o que está acontecendo? Porque o prejuízo não é apenas para o Paraná, mas também para o Brasil. O presidente do sindicato mencionado, Péricles Salazar, levanta a suspeita de pressão sobre o Ministério, por parte de outros Estados Mato Grosso, Goiás, Minas e São Paulo que se beneficiariam de vantagens comerciais mantendo o Paraná nesse banho-maria. Se tal é verdade, não se imagina como um ministro da República esteja tão vulnerável ante uma tal guerra de interesses e não seja capaz de uma atitude. As perdas do Paraná, pela paralisação dos negócios da carne, já chegam a R$ 100 milhões, e este é um dinheiro que não volta. O frouxo titular do Ministério da Agricultura e Pecuária está se revelando um inimigo da pecuária paranaense. Ao menos para impor esse terrorismo ele tem poder!

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