Quarenta anos são passados desde que, no final de julho de 1965, a Estrada do Café (leia-se Londrina-Paranaguá) foi inaugurada, e desde então o ideal de duplicação dessa rodovia sempre esteve presente, mas nunca se concretizou. Faltou às lideranças do Paraná, durante longas quatro décadas, o necessário empenho para obter esse benefício. Deve-se ao governador Ney Braga a pavimentação dessa estrada, cujo leito de terra já existia e formava com a Estrada do Cerne (Jataí-São Jerônimo-Ventania-Castro-Ponta Grossa) as duas opções rodoviárias do Norte do Paraná rumo a Curitiba e Paranaguá e para o sul do País. Mas, alcançada a grande vitória de unir os dois pólos paranaenses por asfalto, a duplicação passou a figurar no plano rodoviário, porque o tráfego tornou-se intenso, sobretudo de caminhões transportando café para o porto de Paranaguá. Daí o nome Estrada do Café, pelo vínculo da economia estribada na cafeicultura, responsável pelo fenomenal crescimento de cidades, Curitiba incluída. Esta beneficiava-se da expansão da economia que emanava do Norte e da benesse da arrecadação tributária, pela condição de ser sede político-administrativa do Estado. Mesmo que, ainda hoje, continue nas mesmas condições de quando foi inaugurada (uma única pista em cada mão), essa rodovia estabeleceu definitivamente o fluxo entre as duas regiões extremas do Paraná, antes quase inexistente porque as ligações eram mais frequentes com o Estado de São Paulo e com o porto de Santos. Mas os anseios pela duplicação nunca cessaram, porque essa rodovia é sabidamente perigosa, especialmente no trecho da serra, favorecendo a aventura de ultrapassagens arriscadas e imprudentes, pela morosidade do tráfego dos veículos de carga. O resultado tem sido uma história repleta de acidentes, com ferimentos graves, mutilações e mortes, bem como grandes prejuízos materiais. Agora a rodovia ficou estrangulada pelo advento do pedágio, porque a duplicação não foi feita pela concessionária e está cativa de um contrato. Foram implantados apenas 14 quilômetros de duplicação, e a conservação continua deficiente em certos pontos, especialmente no percurso de Mauá da Serra a Imbaú. Faltam também acostamento condizente, sinalização mais adequada e telefones públicos para chamadas de emergência. Exigir um serviço de helicóptero de socorro seria o mínimo face à montanha de dinheiro arrecadada nos oito anos de existência do pedágio, mas tal não existe. Mas é mesmo na duplicação que se centra a reivindicação maior, e é oportuno rememorar que 40 anos são decorridos e nada aconteceu. É hora de um movimento de pressão das lideranças regionais, dos governantes, dos parlamentares e da população para obrigar a quem de direito a implantação da duplicação, não só do trecho pedagiado mas também a partir de Londrina e do ponto da rodovia Londrina-Maringá que abre a conexão com a Estrada do Café.

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