Há desemprego e desemprego. Um é conjuntural. Foi-se, mas volta. É o caso do médico, do professor, do garçom, do jardineiro. Outro é estrutural. Perdeu-se para a tecnologia. Robôs e máquinas o roubaram. Esse não tem retorno.
Brasília presenciou exemplo recente. Foi no Pátio Brasil. Há pouco, pessoas davam o tíquete de estacionamento à entrada da garagem. Agora são máquinas. Foram-se, aí, alguns postos de trabalho.
Vale uma espiadinha nos números. Dez anos atrás, havia 1.050.000 bancários no País. Hoje, há 400 mil. Em uma década, o sistema financeiro mandou pro olho da rua 650 mil trabalhadores. A indústria automobilística navega nas mesmas águas. Em 1990, as montadoras do ABC Paulista empregavam 70.261 metalúrgicos. No ano passado, o número caiu para 46 mil. A agricultura, tradicional absorvedora de mão-de-obra, entrou na onda. A mecanização do campo expulsou milhares de famílias para as cidades.
A tecnologia tem uma face boa. De um lado, aumenta a produtividade. De outro, garante produtos mais próximos da perfeição. Mas tem a face perversa. Compete com o homem em condições privilegiadas. Não ganha salário. Não goza férias. Não tira licença. Não fica doente. E trabalha 24 horas por dia, sete dias na semana.
Resultado: cresce o número de desocupados. O IBGE informa que eles chegam a 7,51% da população economicamente ativa. Traduzido, o percentual representa algo em torno de 5,257 milhões de brasileiros. Entre eles, há os que perderam o emprego. (Nem sempre por falta de qualificação. Muitas vezes - e cada vez com mais frequência - por escassez de postos). Na multidão que busca ganhar o pão com o suor do rosto, há, também, os que querem entrar no mercado laboral. São os jovens na busca da primeira colocação. Pelo andar da carruagem, alguns morrerão sem nunca ter conseguido trabalho.
O que fazer com eles? Ignorá-los não dá. Matá-los pega mal. O jeito é encontrar uma saída. Vai uma sugestão. Por que não pagar um salário a cada máquina que substitui um trabalhador? O valor seria recolhido em forma de imposto.
O Banco do Brasil, por exemplo, tem máquinas que fornecem saldo, emitem talão de cheques, fazem transferências, aceitam pagamentos, efetuam depósitos. Etc. Etc. Elas não trabalhariam de graça. Receberiam uns reaizinhos como se fossem de carne e osso.
O dinheiro iria para o Fundo de Apoio ao Trabalhador. Com ele, ampliar-se-ia o universo dos amparados. O seguro-desemprego, que hoje gira em torno de um a três salários mínimos, teria o valor aumentado. E o prazo de concessão, que não ultrapassa os cinco meses, seria mais (muito mais) elástico.
O desemprego veio pra ficar. A legião de expulsos do trabalho ecoa como grito demandando soluções. O drama não é questão só do governo. Mas da sociedade. Ninguém quer ver sua tranquilidade doméstica cercada por uma massa de famintos desesperados. É melhor prevenir.
- DAD SQUARISI é jornalista em Brasília

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