O crescimento da classe C, além de movimentar a atividade produtiva como um todo, contribuiu para incrementar um outro segmento: o das cirurgias plásticas. É indiscutível o forte apelo que a estética exerce nos tempos atuais e os números extremamente positivos do ''mercado da beleza'' como um todo reforçam essa afirmação. É importante também que uma parcela maior da população tenha acesso a esse tipo de serviço, mas o aumento de mortes e de reclamações de procedimentos que não tiveram resultado satisfatório indica que o assunto deve ser amplamente discutido.
Entre 2008 e 2011 o número de cirurgias plásticas realizadas no Brasil saltou de 600 mil por ano para cerca de 1 milhão, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Para a entidade, esse crescimento está diretamente relacionado ao aumento de mortes. Outro dado importante é o do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde da Polícia Civil: somente este ano foram instaurados 40 inquéritos em Curitiba decorrentes de óbitos registrados durante procedimentos ou atendimentos. Embora não se tenha o número específico de erros em atos estéticos, o assunto não pode ser ignorado.
É importante que a população seja conscientizada de que todo procedimento cirúrgico apresenta riscos, seja pela anestesia, pela própria cirurgia, pelos riscos de infecção ou pela internação hospitalar. Também deve ser reforçada a importância de escolha de um cirurgião plástico com boas referências. Como em toda profissão há bons e maus profissionais e, por isso, o paciente deve estar atento. Também como em toda prestação de serviço, deve-se desconfiar de preços extremamente baixos e fora dos padrões de mercado.
Do lado do paciente, é importante que sejam registradas denúncias de erros e de procedimentos mal realizados. Somente com o conhecimento da real situação é que as autoridades poderão agir e tirar do mercado profissionais pouco preparados ou mau intencionados.

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