RISCO REAL? - Pequenos em rota de extinção
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Marco FeltrinReportagem Local 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o primeiro mapa dos invertebrados terrestres ameaçados de extinção. Do total de 130 espécies sob risco, 96 são insetos, como abelhas, besouros, formigas, borboletas, e as 34 restantes são outros invertebrados, como aranhas, escorpiões, caracóis e minhocas.
O Paraná é o estado da Região Sul com menor número de espécies ameaçadas, segundo o IBGE. São sete no total: cinco borboletas, um besouro e um caracol. Em entrevista à FOLHA, o professor do Departamento de Biologia Animal da UEL, Carlos Eduardo de Alvarenga, explica os motivos que ocasionaram o risco de extinção das espécies e aponta o culpado: a humanidade, que não sabe preservar o ambiente em que vive.
Como o senhor analisa esta pesquisa feita pelo IBGE?
É muito difícil afirmar que todas estas espécies estejam realmente em extinção. Só para citar um exemplo: dos sete insetos considerados sob risco no Paraná, temos casos de insetos raros, como um besouro chamado megazoma giagias, que era muito difícil de ser encontrado quando o descobriram e descreveram. Dizer que ele está em risco de extinção é um exagero, porque sempre foi raro. Eles estão nessa situação, principalmente aqui no Paraná, por causa da devastação da Mata Atlântica. Se o habitat está sendo destruído, logicamente as espécies tendem a desaparecer. Além disso, a maior parte destes insetos é de borboletas, alvos de colecionadores particulares. E ninguém fiscaliza isso.
A devastação é a principal responsável pelo risco de extinção das espécies?
Com certeza. Se você olhar no mapa e perceber os pontos mais críticos de insetos em risco de extinção, vai estar realçada uma linha que representa a Mata Atlântica e algumas áreas de cerrado. Se pegar a Amazônia, são poucos os animais em perigo. Apesar de estar sendo pouco a pouco devastada, grande parte da Amazônia ainda está intacta, não tem esse perigo, até porque há uma dificuldade de acesso e coleta clandestina de animais para fim comercial.
O governo falha na questão da preservação ambiental?
Falta fazer muito ainda. Em primeiro lugar, tem que parar o desamatamento para depois começar a pensar em um projeto de reflorestamento, restauração de ecossistema. Chegar e plantar árvore não adianta. É necessário analisar como era o ecossistema antes de ser desmatado, conhecer a parte que ainda existe e tentar recuperar a parte que foi destruída. A Amazônia ainda tem salvação, mas a Mata Atlântica está difícil.
E o outro lado, das cidades, é possível perceber um aumento no número de insetos?
A gente percebe porque, na verdade, estamos invadindo o ambiente deles. As cidades estão crescendo onde antigamente era floresta, cerrado. A maior incidência é em áreas mais pobres, fundos de vale, onde tem muito lixo acumulado que acaba trazendo não só insetos como também outros animais (ratos e baratas), que infelizmente oferecem risco à saúde humana.
Como é possível evitar isso?
A iniciativa tem que partir de nós mesmos. É o homem que não sabe lidar com o lixo que produz, dar a destinação correta, fazer a coleta seletiva. Somos nós que, direta ou indiretamente, incentivamos a devastação das áreas de preservação ambiental para obedecer interesses econômicos. Também poluímos os lagos, rios, e isso de uma forma ou de outra está se voltando contra a gente. Enquanto não mudar a consciência ambiental da população, podemos prever consequências cada vez piores.


