A informação de que a maioria dos motoristas que trabalha à noite, em transportes municipais e interestaduais, cochila ao volante, coloca no paredão as empresas do setor. Porque a razão disso é o excesso de horas contínuas de trabalho a que esses profissionais são submetidos. Essa atitude irresponsável que visa o máximo de lucro, sem muita preocupação com a segurança de motoristas e passageiros precisa ser reprimida com todo o rigor, porque o risco é grande demais. Com razão os profissionais que dirigem veículos de transporte coletivo reclamam a regulamentação de apenas 6 horas diárias de trabalho. Essa reivindicação acaba de ser apresentada, por representantes da classe de todo o País, à Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara Federal, visando a criação de uma lei estabelecendo aquelas horas de jornada. Trabalhar à noite, numa profissão que exige atenção fixa e contínua, é muito desgastante, porque o motorista não consegue dormir bem durante o dia. Muitos alojamentos, ademais, são precários, havendo casos em que o motorista dorme junto a oficinas da empresa, em meio ao barulho. Se 8 horas ao volante já são exigência exagerada, há casos em que certas empresas obrigam o motorista a trabalhar 10 horas no mesmo dia, porque não há quem o substitua entenda-se como contenção empresarial, dessa forma incorrendo no delito de propiciar acidentes e mortes e de não favorecer à causa do emprego, havendo possibilidade. Pesquisas sérias demonstram que a maioria desses motoristas cochila ao volante, e se isso acontece durante a noite, deve acontecer também durante o dia, porque ficou comprovado que eles trabalham cansados. Estudo internacional recomenda que o condutor de qualquer veículo pare por instantes, a cada 2 horas de direção. O especialista em Medicina do Sono, Marco Túlio Mello, da Universidade Federal de São Paulo, declara que uma empresa pesquisada conseguiu, pela mudança de sistema, reduzir de R$ 150 mil para R$ 30 mil o gasto mensal com acidentes, e a quase zero o número de vítimas. O custo social do poder público com acidentes é altíssimo, infinitamente maior do que o que gastaria com uma maior fiscalização. O limite de 6 horas de trabalho diário, uma pausa a cada 2 horas e a exigência de boa acomodação para o motorista dormir, quando está longe de casa, precisam ser aprovados sem mais delongas e sem muita discussão, porque não há nada a discutir. É a vida dos passageiros e tripulantes que está em jogo, num país onde a maior parte do transporte coletivo se faz por ônibus. Lei adequada e rigor na fiscalização, este o caminho mais seguro.

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