Risco, dólar e crise política
A crise política instalada no governo federal tem impactado significativamente na economia. O cenário econômico interno já não vai bem inflação em alta, aumento do desemprego, produção industrial e consumo em queda e para piorar ações diretas da presidente Dilma Rousseff (PT) têm contribuído para pior ainda mais esse quadro. Ontem, a cotação do dólar voltou a fechar no maior valor em quase 13 anos. O dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, fechou em R$ 3,762 alta de 2,06%.
A explicação para esse salto foi de preocupações com as contas públicas brasileiras e especulações sobre uma possível saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do cargo elevaram o clima de aversão. Somado a isso, o País pode perder o selo de "bom pagador" atestado por agências internacionais de classificação de risco. A perda levaria grandes fundos a retirar seus investimentos do País, o que poderá agravar ainda mais a economia. Outra consequência é que o custo do dinheiro tomado por meio de financiamentos no mercado externo ficará mais caro.
Desta forma, o mercado financeiro antecipa o cenário do próximo ano que, segundo orçamento enviado ao Congresso nessa semana, prevê deficit de R$ 30,5 bilhões. O argumento de "transparência" utilizado pelo governo não foi recebido tão bem porque indica que o governo não irá cortar custos e que tem dificuldades para gerir a própria máquina. Além disso, essa diferença provocará uma explosão na dívida pública, que deve passar dos atuais 66% do Produto Interno Bruto para 72% no próximo ano.
A gravidade do cenário pede urgentemente a adoção de medidas duras e, sobretudo, de austeridade. É preciso cortar fortemente os custos da máquina. O problema é que a presidente parece estar perdida, não há qualquer indicação na mudança de rumo. Isso é um problema e, por isso, a sociedade precisa estar mais ativa nesse processo.





