Risco de inflação mexe com investidores
O risco de um descontrole da inflação existe. Agora quem admite são os técnicos do próprio governo, como aponta a projeção do Banco Central de que a economia só vai poder respirar aliviada em 2012. A inflação também pode mudar as projeções da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) para este segundo semestre, quando espera aumento das vendas ancorado na demanda interna, elevação dos investimentos e do emprego.
Não está totalmente descartado aquele cenário vivido 20 anos atrás, antes do Plano Real, em que diariamente as pessoas acompanhavam pelos jornais o rendimento de aplicações de médio e longo prazos, ou de curtíssimo prazo, como overnight. Era um esforço para abrigar o dinheiro em aplicações que corrigiam a inflação e ainda garantiam um certo rendimento. Os mais conservadores - fala-se na época - ficam na poupança. Mas era para não gastar todo o salário porque o rendimento era o que pior remunerava o aplicador.
Para quem gostava de ousar, colocando seu capital em risco, o leque de opções ia além do mercado financeiro. Sobravam oportunidades no mercado acionário, por exemplo. Muita gente ficou rica com ações de estatais. Mas, sejamos sinceros: cenário semelhante é de hipótese muito remota. O que vai ocorrer é uma certa desobediência dos indicadores, logo controlados porque os políticos não querem inflação. Deixou traumas.
As preocupações estão concentradas na inflação e aumento de custos. Antônio de Castro, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas - em entrevista à repórter Jacqueline Farid - considera os recentes dados de investimento como uma confirmação na confiança dos empresários no horizonte de longo prazo da economia brasileira. De 200 empresários entrevistados, 72% esperam elevação nos investimentos próprios no segundo semestre, patamar um pouco superior do que os 69,7% do primeiro semestre. Mas isso também pode ser uma atitude defensiva contra a inflação. Uma coisa é certa, em tempo de inflação mostrando suas garras e ano político, os agentes econômicos ficam na expectativa. Numa condição dessa, quem ousar pode se dar bem.





