Passou desapercebida dos próprios economistas e empresários - a julgar pela ausência de repercussão interna - uma análise divulgada na sexta-feira pelo Institute for International Finance (IIF) segundo a qual a economia brasileira corre risco de enfrentar uma bolha especulativa. Em seus comentários, os especialistas trataram de conferir um caráter de alerta ao resultado da avaliação.
Vamos interpretar o alerta que vem de Washington. Desde o início da crise mundial, economias emergentes, como a brasileira, ficaram longe da origem da crise. Não possuem praças financeiras e estão desvinculadas dos grandes bancos financistas, primeiros alvos do impacto, em meados do ano passado.
Por conta dessa vantagem sobre os centros financeiros mundiais, o Brasil se tornou opção de curto período para investimentos temporários, ou especulativos.
Isto dá uma sensação de que o mercado financeiro está bombando, em termos de investimentos e entrada de dólares. Não é só sensação, é real esse fluxo de capital nada volátil, por enquanto. A boa performance repercutiu no mercado acionário. E, de quebra, reduziu o preço do dólar, beneficiando empresas importadoras de bens de capital (você viu no sábado o bom desempenho daquele setor), porém prejudicando quem atua na outra mão, a da exportação. O agronegócio paranaense é um dos alvos.
Mas o problema, ou seja a bolha, estaria em qual ponto? Quando falam em bolha especulativa os agentes estariam diante de uma situação sensível, muito susceptível a especulações. Tanto que os estudiosos da teoria econômica definem o cenário como uma ''situação em que o mercado (financeiro) se expande perigosamente e se assemelha a uma bolha de sabão na qual qualquer movimento pode levar ao estouro''.
Mais didático impossível. Só que há um pouco de malícia nesse conceito de bolha e, e muito de preconceito na análise. O risco (da bolha especulativa) só existe a) se as cotações dos títulos tornarem-se muito altas, b) sem que existam condições reais para a elevação. Nesse caso, os preços se matém elevados mas bastará um pequeno fator adverso para provocar uma forte explosão traumática. O IIF não diz ter diagnosticado qualquer fator adverso iminente no Brasil. Mas parece colocar em dúvida a solidez de um país emergente diante de grande afluxo de capital.

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