Rio Grande do Sul fica em alerta com suspeita de aftosa
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sexta-feira, 08 de março de 2002
Agência Folha 
Porto Alegre Fortes suspeitas de que a Argentina esteja passando por nova contaminação de aftosa colocaram em emergência a fiscalização sanitária do Rio Grande do Sul e o Ministério da Agricultura.
O governo argentino desmente as informações, mas técnicos da região as confirmam. Em outras ocasiões, os argentinos negaram a existência de focos que foram confirmados posteriormente.
O governo gaúcho já ofereceu técnicos para auxiliar os argentinos a combater a aftosa, partindo do pressuposto de que a crise socioeconômica do país o impede de fazer o controle.
Na Província de Misiones, por exemplo, fiscais têm retardado os trabalhos. O contrabando teria aumentado, em razão do maior poder de compra dos brasileiros em relação aos argentinos.
O Ministério da Agricultura estuda solicitar apoio do Exército em zonas de risco, disse ontem o chefe da Divisão de Defesa Agropecuária da Delegacia Regional do Ministério da Agricultura, Antônio Ângelo do Amaral.
Na semana que vem, técnicos do ministério começam a investigar a região de Tiradentes do Sul fronteira com a Argentina. Nesta segunda, o chefe do Serviço de Sanidade Animal do Ministério da Agricultura, Hélio Pinto, estará na região.
Revacinação A Secretaria da Agricultura gaúcha, que solicitou ao Ministério da Justiça a presença do Exército no local, revacinou (doses de reforço) 4.000 animais da região, preventivamente, colocando neles um brinco de identificação.
Já se trabalha com a hipótese de haver o vírus na Argentina. A informação mais recente de foco na Argentina, segundo o secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, surge de uma propriedade no município argentino de Santo Tomé, próximo à divisa com São Borja.
Na última terça, já haviam surgido informações sobre animais contaminados em Monte Agudo (Misiones), a 8 km de Tiradentes do Sul. No mesmo dia, houve uma reunião emergencial de técnicos e prefeitos dos municípios da região, para a definição de estratégias coletivas. A fiscalização na região foi redobrada. Duas equipes da secretaria estão monitorando as áreas de risco.
Cinco veterinários, 40 auxiliares e 40 policiais militares foram deslocados para a região, que tem cerca de 15 mil cabeças de bovinos, ovinos e suínos.
Doze equipes são responsáveis pela fiscalização, e a previsão da secretaria é revacinar todos os animais da região. Oito barcos fiscalizam o rio Uruguai. Por terra, há carros e barreiras fixas. O objetivo é evitar o contrabando.


