Os números alarmantes do trânsito brasileiro levaram o governo federal a lançar campanha permanente de conscientização dos motoristas. De fato os trabalhos devem ser conduzidos nessa linha, uma vez que a realização de ações pontuais não se mostram efetivas. Estatística do Ministério da Saúde revela que em 2010 (último dado nacional disponível) 42.844 pessoas morreram em estradas e ruas do País. Nesse mesmo ano, o gasto registrado no Sistema Único de Saúde com acidentes de trânsito chegou a R$ 187 milhões.
No entanto, o governo não especificou como será a ''campanha permanente''. Em seu discurso, a presidente Dilma Rousseff (PT) pediu a colaboração da indústria automobilística ''para elevar o padrão de segurança nos automóveis''. Tornar os carros mais seguros e veicular campanhas educativas são importantes, mas a iniciativa tem que ser mais incisiva. Dados do portal ''Transporta Brasil'' revelam que a idade média da frota brasileira é superior a 8 anos, o que indica que uma significativa parcela da população continua utilizando carros sem muitos equipamentos de segurança, apesar dos sucessivos recordes de vendas da indústria.
A presidente ainda falou em endurecimento da penalização de motoristas que matam no trânsito. Sem especificar ações mais concretas, Dilma disse que é ''obrigação do governo'' fazer um pacto pela redução de mortes. O governo federal deveria propor alterações na legislação de trânsito e focar o trabalho em fiscalizações, realizadas em parceria com Estados e municípios.
Aumentar o contingente de policiais, rigor da legislação e mudanças na formação dos condutores, em um primeiro momento, podem trazer resultados mais imediatos. A sensação de impunidade no trânsito deve acabar. Motoristas irresponsáveis e que desrespeitam as leis devem ser punidos com rigor. Somente a partir da punição mais rigorosa é que haverá uma conscientização efetiva dos condutores. As campanhas educativas são importantes, mas realizadas isoladamente trarão resultados somente a longo prazo.

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