Série de entrevistas com os principais candidatos ao governo do Estado publicadas por este jornal neste mês de setembro destacou, entre as várias questões debatidas, a preocupação com a forma como estes, se eleitos, conduzirão a administração pública, sobretudo no que diz respeito ao funcionalismo público. Reconhece-se que o servidor, nos últimos anos, trabalha sob a mais perversa das políticas de achatamento salarial. Deve ser levado em conta, entretanto, que esta mesma política afeta a maior parte das categorias profissionais, não sendo um desprestígio apenas do funcionário público ter que conviver com a mesma renda de anos atrás, quando o custo de vida salta de uma semana a outra e atinge níveis assustadores.
Não é este, porém, o principal problema que se mostra, escancaradamente, sempre após a posse de um novo prefeito, governador ou presidente da República. Como também ocorre na esfera legislativa, quando da entrada de novos parlamentares e até da troca de membros das mesas diretivas. Ocorre que, se a lei determina a realização de concursos para o preenchimento de vagas nas administrações públicas diretas e indiretas, por outro lado também contempla a contratação de comissionados, em funções de confiança. Alguns destes, conscientes, trabalham e colocam seus cargos à disposição, no momento oportuno, quando se expira a gestão para a qual foi contratado. Outros ficam e se escoram nos mecanismos que a própria legislação institui. Aproveitando brechas ou participando de concursos duvidáveis, tornam-se maus servidores, eis que a estabilidade que o serviço público proporciona cria vícios em quem, já na origem, se aproveitou de uma circunstância política para se empregar.
É esta a grande preocupação do eleitor e de toda a população. O serviço público no Brasil, infelizmente, carrega o estigma de algo que emperra a vida do cidadão. Este ônus é ruim para uma grande maioria dos servidores que faz jus aos seus salários, provenientes dos impostos e tributos pagos pela população. Mas a mancha formada pelos oportunistas, estes que depois tratarão o cidadão com desrespeito, exige ação dos futuros governantes. Trata-se de um problema que parece ter pequena dimensão. Puro engano. Milhares deles, no País inteiro, consomem milhões em salários e enferrujam, como se este fosse o troco, a máquina administrativa.

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