Rigor com higiene e alimentos
Incômoda que seja para os donos de bares, lanchonetes e padarias, e embora alguns exageros que podem ser corrigidos, já vem tarde a imposição, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de rigorosas normas de higiene sobre aqueles estabelecimentos, assim como sobre a qualidade dos alimentos que fornecem. Esta é a primeira regulamentação nacional sobre a questão da alimentação, embora já adotada por alguns Estados. O texto da lei já foi publicado ontem no Diário Oficial da União, com início de vigência em 180 dias e estabelecendo multas elevadas sobre os infratores. As normas estabelecem a obrigatoriedade de água tratada, temperatura em que os alimentos devem ser mantidos, vestimenta especial para os funcionários, incluindo o uso de toucas, curso de capacitação para o respectivo trabalho, vigilância sobre manipulação, acondicionamento, armazenamento, transporte e exposição de alimentos, ventilação, climatização, revestimento de pisos, paredes, portas e janelas. Só a proibição da barba para os empregados desses estabelecimentos é um exagero, pois dela, fios não caem. Essas novas normas exigirão mudança de instalações e provocarão uma alteração de costumes, inclusive do próprio freguês, que, conscientizando-se das novas regras passará a ser exigente e aprenderá a valer-se dos seus direitos. É dessa forma que as mudanças acontecem, e depois de implantadas, dificilmente têm retrocesso, por força da presença de um fiscal muito especial, que é próprio consumidor. Hoje, pelo menos as padarias já têm um melhor padrão de higiene, porém bares e lanchonetes deixam muito a desejar, sobretudo nos bairros mais pobres e nos lugarejos, onde os alimentos ficam praticamente expostos às moscas, pela ausência de conscientização dos proprietários, pela falta de fiscalização e pela tolerância da freguesia. O que deveria ser um cuidado natural terá de ser imposto por força de lei e da ameaça de multa, mas depois que certas práticas de higiene e de zelo no manejo dos alimentos postos à venda são adotadas, o que é rigor de norma converte-se em costume natural. Certo é que ambientes onde há higiene e onde os produtos alimentícios são bons e bem acondicionados, induzem as pessoas a portarem-se mais civilizadamente, a se sentirem mais respeitadas e a se tornarem mais exigentes, até incorporarem esses novos hábitos e não mais aceitarem o pior. Basta observar como as pessoas, de qualquer classe social, se comportam num shopping center ou num moderno supermercado, e num estabelecimento de baixo nível. Este é um caso em que o ambiente faz a pessoa. As coisas melhores que o brasileiro almeja compreendem também essas coisas, que dão dignidade ao cidadão, garantem-lhe saúde para o organismo e o fazem mais zeloso e mais exigente quanto ao que consome e aos ambientes que frequenta.





