A divulgação do relatório de um centro de pesquisa britânico informando ao mundo que o Brasil passou a Grã-Bretanha e tornou-se a sexta economia do planeta ganhou mais repercussão na imprensa estrangeira do que na brasileira. Provavelmente, por dois motivos. Primeiro, essa notícia já vinha sendo alardeada nos jornais brasileiros por nossos economistas. O segundo motivo da falta de comemoração deve-se ao ao fato de que, apesar do nosso Produto Interno Bruto (PIB) ter alcançado 2,5 trilhões de dólares em 2011, o brasileiro ainda se sente pobre em relação aos ingleses.
Mesmo considerando que o poder de compra dos brasileiros vem crescendo, que o Real se valorizou e que o País está atraindo investidores estrangeiros, não se pode esquecer que o custo de vida no Brasil tornou-se muito caro. Basta pesquisar o preço dos carros populares, dos artigos de vestuário, turismo interno e serviços.
Essa comprovação da ascensão da economia caiu como um presente de Natal para o governo da presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiu antecipar a previsão que entre 2020 e 2030 o País atingirá padrão de vida europeu - as projeções anteriores eram que isso aconteceria por volta de 2045.
O Brasil ultrapassou a Inglaterra no ranking das maiores economias, porém, tem ainda muita estrada para alcançar o padrão de vida europeu. Precisa continuar com a economia crescendo, assim como a renda da população. Mas é preciso uma grande transformação cultural e melhoria das condições sociais. Comparado ao Reino Unido, o País fica atrás, por exemplo, em índices de alfabetização, expectativa de vida, mortalidade infantil e acesso à internet. Sem falar na qualidade da educação e da saúde pública, nos problemas que temos em relação à violência e ao tráfico de drogas e nos vexames que a nossa classe política impõe à população quando o assunto é corrupção.

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