O futebol é um bom negócio no Brasil. Quem melhor poderia confirmar esta afirmação, no momento, seria o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira. Conforme reportagem na edição de hoje no caderno Folha Esporte, Teixeira tem salário anual de R$ 245 mil. Mas no período de um ano, trabalhou no Brasil apenas 88 dias. Nos demais, tirou licença para viajar ao exterior ou por problema de saúde.
Pois bem. Os grandes clubes lutam contra o esvaziamento dos estádios, contratando craques a peso de ouro. A meta é claríssima: além de reforçar a equipe, o jogador caro dá vitórias e, com bons resultados, garante público nos jogos. Os pequenos, ao contrário, sem ter como formar um bom elenco sofrem derrotas consecutivas e, a cada dia, colocam o time no campo com seus estádios vazios.
E os jogadores, estes dos times pequenos? Só em Londrina dois deles se viram envolvidos com a polícia por causa de delitos, a princípio, de menor gravidade: o roubo de impulsos telefônicos para poder conversar com suas famílias, pelo telefone.
Estes tentam sair do anonimato, sonham com as grandes equipes e com os salários milionários. Talvez nunca consigam chegar ao salário de Romário, que apronta dentro e fora do campo, não por vontade de conversar com os familiares, mas por uma espécie de manhã e máscara.
E jamais estes jogadores chegarão também à renda anual do presidente da CBF. O cargo, ao que parece, é vitalício. Pelo menos até que alguém resolva trabalhar realmente pela moralização do futebol, combatendo a voracidade dos cartolas.
Walter Ogama

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