O Brasil segue caminhando com passos firmes para um ensino de melhor qualidade, embora a maioria da população não perceba a verdadeira revolução que está se processando nesse campo.
No início de junho, como estava previsto, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas diretrizes para o currículo do ensino médio, que entrarão em vigor a partir do próximo ano. A notícia foi dada de forma acanhada pela imprensa, como quase todas as notícias positivas no setor.
As novas diretrizes curriculares do ensino médio deveriam ter merecido mais destaque, principalmente por eliminarem o excesso de conteúdos curriculares e por ficarem mais próximos da realidade de cada região, contribuindo com isso para estimular os alunos e reduzir a evasão, uma das pragas do nosso sistema educacional.
As diretrizes, como o próprio nome diz propõem orientações gerais sobre o básico a ser ensinado em cada etapa. Um quarto do currículo será definido por cada escola, de acordo com a realidade em que ela está inserida.
O currículo mínimo do ensino médio, de acordo com a decisão do CNE, passa a ter três áreas de estudo: códigos e linguagem, cultura e sociedade e ciência e tecnologia. O interessante é que uma aula pode aglutinar várias disciplinas de uma mesma área de estudo, como Química, Física e Biologia.
Também é importante ressaltar que a carga, atualmente de 600 dias, passa a ser de 800, atendendo assim aos muitos especialistas que reclamavam do curto período para ministrar toda a matéria essencial, o que levava a ignorar diversos itens do programa ou passar por eles ‘‘por alto’’, prejudicando principalmente o aluno candidato à universidade.
Outra boa providência é o tratamento diferenciado que passam a receber o ensino médio (antigo 2º grau) e o ensino profissionalizante: para ingressar na faculdade, o concluinte desse último terá de completar o curso com matérias do ensino médio. Com isso, o ensino profissionalizante pode voltar-se inteiramente para o ensino de uma profissão - afinal, é para isso que ele existe.
Como já havia acontecido com os parâmetros curriculares do ensino fundamental, estão, enfim, sendo criadas condições para uma sensível melhoria da qualidade do nosso ensino público.
Mas é bom não esquecer de que apenas leis, decretos e pareceres não têm poder de solucionar os problemas, como se fossem varinhas de condão. Por trás de tudo isso, para que haja sucesso, é preciso que esteja presente a mão-de-obra especializada e motivada.
Portanto, é preciso preparar os professores e demais profissionais da educação para a nova realidade, que começaremos a viver a partir do ano que vem. Cursos de atualização e de especialização, assim como seminários, são essenciais para a adotar a nova sistemática. Sem falar, é claro, na valorização salarial, sem a qual as boas intenções das novas medidas correm o risco de caírem no vazio.
Não podemos deixar que isso aconteça. O Plano de Valorização do Magistério, se corretamente aplicado, tal como foi realizado, pode ser o caminho para a motivação dos profissionais do ensino. Vamos torcer para que isso aconteça logo, pois o Brasil tem pressa. Precisamos voltar a crescer e a proporcionar uma distribuição de renda mais justa. E isso só pode ser feito pela educação.
Educação que voltará a ser ‘‘prioritária’’ neste período eleitoral, na boca de todos os candidatos, mas que só o terá, de fato, quando a sociedade pressionar para valer nesse sentido. A solução, portanto, passa pelas leis, pela correta formação dos profissionais do setor e pela sua motivação e, ainda, pela pressão de cada cidadão.

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