Revolução do ensino tem de ser no conteúdo
É preciso esclarecer alguns pontos sobre o que disse em artigo de ontem neste Jornal o professor Luiz Paixão da Rocha, secretário de imprensa da APP-Sindicato (entidade dos professores do Paraná). Ele se refere a dois Editoriais aqui publicados (em 13 e 14 de fevereiro) sob os títulos ''Professor melhor com pagamento por mérito'' e ''Mérito ao bom professor, exemplo a seguir''. E desaprova a ''cultura midiática'', como diz (citando por extensão toda a imprensa nacional), por fazer coro com as declarações feitas naquele mês, à revista Veja, pela Secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro e segundo a qual não é a questão salarial que resulta na pouca qualidade do ensino no Brasil e sim os maus professores.
Ela defende, com razão, que os melhores devem ser premiados com ganho maior. Opiniões divergentes à parte, o que este Jornal contesta - na parte que lhe compete sobre as críticas do sindicalista de que ''a mídia nacional pouco discute a valorização dos profissionais de educação, as condições de trabalho e a qualidade do ensino'' - é que a FOLHA DE LONDRINA tem, sim, opinado, feito entrevistas e publicado pareceres de eminentes pedagogos com enfoque e críticas a todas essas coisas. O Jornal tem apontado o que considera falhas de conteúdo na metodologia educacional. Os sindicatos, estes sim cuidaram, ao longo dos anos, de reivindicações salariais. Estão certos. A qualidade do ensino passa, também, pelo estímulo aos professores. Mas os sindicatos precisam discutir conteúdos e muitas coisas a mais que o aluno precisa aprender. As escolas acrescentaram o computador mas pouco em revolução pedagógica e em ensinamentos fundamentais para a edificação de um homem mais consciente de sua responsabilidade no mundo em que vive.
O conteúdo mostra deficiências nas escolas primárias, nas profissionalizantes e nas superiores. As empresas paulistas denunciam que os cursos profissionalizantes não preparam, em qualidade, o que a demanda exige, e assim por diante. Estes são alguns exemplos. Certo é que, no caso do ensino fundamental e médio, muitos alunos não gostam de ir à escola. Se alguns apenas querem vida mansa, não são todos. O ponto a focar não é apenas salário, mas tem a ver diretamente com aquilo que está sendo ensinado e o que se está deixando de ensinar. Quanto ao papel do professor, sua dedicação, amor ao ensino e sacerdócio ninguém tem dúvida.





