REVOLUÇÃO DIGITAL - A TV pode ficar inteligente?
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
O desembarque da TV digital no Brasil já tem data marcada: 2 de dezembro de 2007, com as primeiras transmissões em São Paulo. Diante desta revolução no eletrodoméstico mais popular dos lares brasileiros, ainda pairam muitas dúvidas, como a adaptação dos televisores antigos e a possibilidade de cópias do conteúdo digital. Para esclarecer estas questões, a FOLHA ouviu o coordenador de TV digital do Laboratório de Sistemas Integrados da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Zuffo.
Quais as principais diferenças que o telespectador brasileiro vai sentir com a chegada da TV digital?
São três diferenças: a primeira delas é a incrível qualidade de som e imagem em alta definição. O sinal de TV digital, mesmo com antena interna, já vai mostrar essa qualidade, superior ao DVD. A segunda vantagem é a mobilidade, com TV no celular, no laptop, no carro. É um sinal de baixa definição, mas extremamente móvel. A última é a interatividade, fazendo com que a TV deixe de ser um objeto passivo, com o usuário participando efetivamente da programação.
Essa interatividade vem com força total ou vai ser implantada aos poucos?
As empresas de radiodifusão não estão acostumadas com esse modelo, então haverá uma curva natural de aprendizado, um período longo de adaptação, estimado em dez anos.
Quais serão os principais serviços interativos?
Tem a interatividade local, com a possibilidade de armazenar programas, acessar jogos, fazer simulados de vestibular, e outras tarefas que não exigem conexão com a internet. E tem a interatividade plena, em que o televisor está ligado a uma estrutura de comunicação. Você pode ter consultas bancárias, acesso a planos de saúde, aplicações em previdência, governo eletrônico. Aí o céu é o limite.
Por que o sistema de restrição de cópias vem gerando tanta polêmica?
Tem duas questões a serem avaliadas. É preciso respeitar o direito do cidadão em acessar o conteúdo da TV aberta. Mas, ao mesmo tempo, o sinal digital tem tanta qualidade que pode ser explorado comercialmente por terceiros de forma ilegal, a pirataria. O assunto gera polêmica porque a tecnologia está chegando antes de um consenso regulatório na sociedade.
Em um primeiro momento, o conteúdo vai estar liberado?
O conteúdo é liberado, mas a questão que se discute não é a cópia ou não-cópia. Uma saída discutida aqui na USP foi a colocação de marca d'água, um selo de reconhecimento para saber por qual sistema aquele conteúdo foi copiado. Aí você poderia combater a pirataria sabendo que aquela cópia foi feita não para apreciação, que é o direito do telespectador, mas para fins comerciais.
Como vai funcionar o conversor?
Temos quase 100 milhões de televisores convencionais no país, e as pessoas não querem jogar estes aparelhos fora. A tendência da maioria é optar pela TV de alta definição, de cristal líquido (LCD), seguindo o que ocorreu na Europa, Estados Unidos e Japão. Mas o televisor convencional é praticamente um patrimônio da família, e dura em média 15 anos. Então, temos de trabalhar para que esses conversores sejam baratos. Nossa meta, na USP, é chegar a conversores que custem não mais do que US$ 50 em meados do ano que vem.
A qualidade da imagem das TVs, que já vêm preparadas para captação digital, é diferente das mais antigas que precisariam do conversor?
Depende do número de linhas, porque tem muita TV de plasma que está vendendo gato por lebre. Dizem que é de alta definição, mas o número de linhas é limitado. Alguns fabricantes não estão deixando isso claro ao consumidor. A TV de tubo tem 480 linhas, enquanto as mais modernas podem chegar a até 1080 linhas, e aí vai estar a diferença.


