No inicio dos anos 90, quem tinha mais dinheiro na economia, tinha CZ$ 50 mil. A correção monetária de março/abril apresentou patamares de 84,32% e 41,28% ao mês (valores em discussão até hoje). Soma-se ainda o Plano Bresser, Plano Verão, momento ‘‘Zélia’’, globalização e a concorrência geral do mercado brasileiro com o mercado externo. Complementando, a declaração do então presidente Fernando Collor de Mello de que os carros brasileiros eram verdadeiras carroças e que os carros importados estavam fazendo falta no Brasil.
Ninguém acreditou, mas quando o mercado se abriu, vimos que era verdadeira a afirmação antes considerada ‘‘prepotente’’. Veio ainda a criação do Código de Defesa do Consumidor, considerada a conquista da década.
Itamar Franco substitui o cassado presidente ‘‘Collor’’ e, com ele, veio o sr. Fernando Henrique Cardoso que elaborou o plano econômico denominado ‘‘Plano Real’’, instalado inicialmente com a URV (Unidade Real de Valor).
Desde então, o mundo vem penalizando as economias que estão se desenvolvendo em detrimento às economias em evolução. O Plano Real teve seus pontos positivos como o controle da inflação, mas acabou gerando o desemprego, agora em decréscimo. Trouxe perspectivas de custos financeiros menores e, com eles, a prisão completa no regime capitalista (dívidas internas acima de R$ 500 bilhões), causada pela abertura do mercado com a globalização.
Não há como negar o crescimento da indústria com a atração de capital externo. Vieram ainda as privatizações dos mercados bancário, de alimentação, da prestação de serviços e da tecnologia.
As perspectivas são boas como o aumento da expansão dos empréstimos do Banco do Brasil de R$ 5,5 bilhões para R$ 9 bilhões anunciados para este ano. A inflação para 2001 está estimada em 4% ao ano e existem perspectivas de expansão da safra agrícola de 90 milhões de toneladas de grãos para 100 a 120 milhões.
A abertura do mercado brasileiro de carne é outro ponto positivo, já que o País possui o maior rebanho comercial do mundo (perto de 150 milhões de cabeças), com um desfrute interno de 18% atuais para 30% ao longo do ano.
A liberação das fronteiras estaduais livres de aftosa é a promessa de reestruturação desses estados para a exportação da carne para o mundo. Temos a cana-de-açúcar como um ouro verde, uma das poucas alternativas renováveis de energia no mundo. Soma-se a abertura sensacional dos transportes hidroviários do Centro Oeste brasileiro, reduzindo-se custos.
Salientamos ainda a entrada do plantio de algodão no Centro Oeste e, com ele, as fábricas de tecidos e derivados; a implantação do novo café adensado; a boa distribuição de terras que, segundo o governo, foi superior a 400 mil assentamentos em seis anos; promessas de taxas de juros compatíveis com o investimento no campo; a entrada no mercado brasileiro de bancos profissionais, sucumbindo com os demais bancos pela lei da concorrência; a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal nas administrações públicas; o acompanhamento global do trabalho desenvolvido pelos políticos.
Enfim, estamos no caminho certo estruturando a educação, sendo que este será o primeiro ano em que os alunos terão os livros escolares nas mãos antes do início do período letivo.
É para acreditar ou não neste País? Com certeza, temos boas perspectivas para o ano 2001. Temos consciência de que estamos iniciando melhor o ano 2001 em relação a 1991, com uma evolução ainda maior em tecnologia e em otimismo, tendo em vista a estrutura que desejamos e as possibilidades de resultados ainda maiores.
Sempre, em todos os momento da economia, os desastres econômicos foram menores aos cautelosos. Porém, o mercado brasileiro não tem espaço para os covardes amadores e para os fracos de espírito. O desafio está lançado. Feliz novo milênio.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista, ex-gerente de banco e assessor financeiro em Londrina/PR
[email protected] / www.afiplan.hpg.com.br

mockup