Retrocesso
A autorização da abertura do comércio de calçada até as 18 horas nos dois primeiros sábados do mês, aprovada na quinta-feira à noite, pela Câmara de Vereadores de Londrina até pode ser considerada um avanço, mas está aquém das necessidades reais do município. Londrina tem mais de 500 mil habitantes, é um polo regional em um raio que abrange uma população superior a 1 milhão de pessoas e sua economia é focada na prestação de serviços, tendo o comércio como um dos seus pontos fortes. É inaceitável que em 2011 as lojas ainda não tenham flexibilidade para determinar o seu horário de funcionamento.
Hoje a concorrência é forte. Há vários shoppings instalados na cidade e apenas um segmento continua forçado a restrições, o que fere o princípio da livre concorrência. Por que lojas que comercializam o mesmo tipo de produto têm horários de funcionamento diferentes? Desta forma, não teria o comércio instalado dentro de um shopping a oportunidade de ter mais lucratividade com o seu negócio?
É importante esclarecer que os comerciários têm que ser protegidos. As leis trabalhistas devem ser rigorosamente cumpridas e, para isso, cabe a efetiva fiscalização do Ministério do Trabalho. No entanto, ao determinar o fechamento do comércio aos finais de semana e à noite, cria-se também duas classes de trabalhadores. Acaso são diferentes os empregados em shoppings dos funcionários do Centro? E o que dizer do comércio dos bairros, que funciona mesmo à revelia da lei. São comportamentos que não devem ser aceitos. Se a lei existe deve ser igual para todos.
No entanto, mais uma vez os vereadores perderam a oportunidade de debater o futuro de Londrina e de pensar no seu desenvolvimento. Acuados pelos comerciários e pelo sindicato da categoria - que, por sinal, tem os mesmos dirigentes há décadas - optaram pelo comportamento tacanho com vistas às próximas eleições.
Talvez pela prática de políticas populistas e não progressistas é que Londrina tenha perdido tanta representatividade ao longo de décadas e isso vem sendo relatado quase que diariamente pela imprensa local. Será que não passou da hora de discutir seriamente o futuro da cidade?





