Esqueça aquela imagem de alienação e despreocupação com o futuro. O grande desejo individual do jovem brasileiro é ter boa formação profissional e um emprego. É o que mostra a pesquisa ''O sonho brasileiro'' que ouviu mais de 26 milhões de pessoas com idade entre 18 e 24 anos em todo o País. Os entrevistados também querem ter casa própria e dinheiro, mas apenas 5% mostraram grande preocupação em ''ficar rico''.
Esse modo de encarar a carreira pode ser considerado ponto de conflito em relação à geração anterior, para a qual o principal objetivo profissional era alcançar a estabilidade financeira. A mudança pode ser explicada pelo longo período de estabilidade econômica no Brasil. Muitos dos jovens de hoje não conheceram a inflação galopante tão viva na memória dos mais velhos.
Outro dado que quebra paradoxos é o que mostra uma preocupação maior com relação à coletividade: 90% disseram sonhar em exercer profissão que ajude a sociedade; 28% desejam ''oportunidades para todos''; 18% torcem pela redução dos índices de violência; e 13% almejam o fim da corrupção.
Dos entrevistados, 92% dos jovens percebem que suas ações podem mudar a sociedade, mas demonstraram descrença na política institucionalizada. De acordo com o estudo, 59% afirmaram não ter nenhum partido político de preferência e 83% acreditam que a concentração de poder nas mãos de poucas pessoas é causadora dos problemas mais graves do País.
O jovem brasileiro deseja desempenhar papel de destaque na construção de uma sociedade melhor, mas ainda parece não ter consciência do quanto poder possui. Utiliza cada vez mais os meios eletrônicos, como a internet, para marcar suas posições e protestar contra aquilo que considera errado, incluindo os problemas políticos.
Mas pouco tem sido feito no mundo real para mudar essa realidade. E este é justamente o problema. O País sairá ganhando quando toda essa gana por mudanças for revertida para ações concretas.

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