Retrato do dia
Repórteres-fotográficos gostam de repetir uma máxima antiga do jornalismo: uma imagem vale mais que mil palavras. Na briga diária em um jornal por espaço entre os autores de imagens e os de textos, o argumento é tirado da manga com alguma frequência pelos fotógrafos. Observando as imagens que deságuam nos terminais de computador do jornal, desde as primeiras horas do dia até o último minuto da edição, ininterruptamente, é preciso dar-lhes razão em muitos casos. Agências nacionais e internacionais contam, em imagens, a história do dia pelo planeta. Somado ao vasto material fotográfico próprio do jornal, o que se tem nas telas dos computadores e, em parte, depois no jornal impresso é o retrato mais fiel do que vai pelo mundo, desde a cena da esquina até os acontecimentos mais distantes. O trabalhador mexicano que protesta, usando um colorido sombreiro, ilustra a bela foto da agência internacional. O peruano recolhe o que sobrou de sua casa após a inundação o desabrigado está lá, no centro da foto, transformado em personagem principal. O presidente do Banco Central americano faz careta durante conferência que discute o futuro da economia mundial. Preocupante?! A top model chega ao Rio de Janeiro para conhecer o carnaval brasileiro e ganha os olhares de quem está por perto e também de quem contempla a foto. Assim, as imagens se sucedem: o modelo mais avançado de telefone celular, o helicóptero da polícia alvejado por policiais, o mendigo morto após cair em uma cratera no centro de São Paulo, o encerramento, em clima de festa, de um importante fórum social. Belas, trágicas, coloridas, sombrias, generosas, detalhistas, as imagens têm força e resumem um dia na história.





