A população brasileira alarma-se e está correndo aos postos de vacinação, depois que ocorreram mortes por suspeita de febre amarela. Primeiro no Distrito Federal (DF) e agora em Maringá. O Ministério da Saúde já cataloga oito casos de suspeição e, pela palavra do ministro José Temporão, não há risco de surto. O alerta é para quem vai viajar para as regiões do DF e de Goiás. No caso do paciente maringaense, que morreu terça-feira, ele teria passado férias naquele Estado no final do ano.
A febre amarela, que no passado fez grande quantidade de vítimas e parecia erradicada no Brasil, volta a amedrontar e chegou a causar tumulto nos postos em Brasília, na última semana. Por não saber bem do que se trata - e ante as mortes por suspeita do mal - as novas gerações se assustam, o que tem até sentido positivo porque acelera as providências de prevenção. A doença manifesta-se por febre aguda, calafrios, dor de cabeça, náuseas e hemorragias, de curta duração mas que podem levar à morte. Vacinadas antecipadamente, as pessoas ficam imunes por dez anos. A moléstia é causada por mosquitos infectados, incluindo-se o Aedes aegypti, vetor da dengue.
Os atendentes de saúde orientam, mas a vacina não pode ser dada a menores de 9 meses e a pessoas com imuno-depressão transitória ou permanente, aidéticos e gestantes (que devem, no caso, ser avaliados por médico). Também os alérgicos a ovo de galinha e seus derivados e portadores de doenças febris devem passar por avaliação para se saber se podem tomar a vacina. Alguns animais estão igualmente sujeitos a contrair febre amarela.
Vacinas existem com a suficiência necessária e a aplicação é gratuita, mas no Brasil doenças endêmicas que pareciam ter sido eliminadas estão voltando. Isto significa ausência de cuidados mais intensos de profilaxia - as práticas de prevenção - porque quando o mal se implanta há que se pensar na cura, penosa para os pacientes e com um novo custo social para o Estado. Vale aí o ditado de que é melhor (e mais barato) prevenir do que remediar.
Esforços dos idealistas e dos pesquisadores da saúde têm ocorrido mas os governos negligenciam bastante nas medidas preventivas, embora disponham de tanto dinheiro arrecadado sob a rubrica de atenderem à causa da saúde pública.
O ressurgimento da febre amarela e outras doenças do gênero é um dardo que se lança contra o Governo e contra a população, porque também esta precisa zelar pelo ambiente que rodeia suas casas, eliminando as águas paradas, que são hospedeiras de mosquitos. Porque não há remédios para a febre amarela e o tratamento é sempre difícil e sofrido depois que a doença se instala.

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