Os longos 40 anos de domínio do então deputado estadual Anibal Curi foram pródigos em criação de municípios, no Paraná, por inspiração dele. Esses redutos proporcionavam-lhe sustentação eleitoral e reforço político. Independente de quantos municípios novos a Assembléia aprovou criar, na gestão de Anibal como presidente da Casa ou não, porque ele sempre foi poderoso e decisivo houve ao longo da história um desordenamento na conversão de distritos em municípios, não só no Paraná como em todo o Brasil. Ontem o que se leu neste jornal fato já de notório conhecimento é que 70% dos municípios paranaenses dependem da transferência de recursos do Estado e da União para sobreviver. São 272 nessa condição, dos 399 existentes. Quando as comunidades respectivas visavam desmembrar-se dos municípios-mães para ''tornar-se independentes'', apenas atendiam a uma vaidade. Alcançado o objetivo, viram-se mais dependentes do que já eram, porque tiveram que arranjar-se por conta própria. E mesmo que, financeiramente, alguns se auto-sustentaram, continuaram necessitando do grande município a que estavam vinculados para quase todas as necessidades, como o atendimento hospitalar, a escola superior, a telefonia, as grandes lojas, o aeroporto, enfim os grandes serviços. Portanto, uma ilusória independência. Agora esses municípios têm de valer-se do repasse de verbas estaduais e federais para manter-se, entenda-se manter também uma máquina administrativa outrora inexistente. O que recebiam dos municípios dos quais dependiam era mais substancial do que agora precisam gerar pelos próprios meios, porque os gastos com infra-estrutura instalada, equipamentos, maquinaria, manutenção do prefeito, dos secretários, dos vereadores, não possibilitaram a sobra de dinheiro. Destacadas personalidades brasileiras defendem a volta da maioria dos municípios, em todo o País, à condição de distritos e à reincorporação às grandes comunas às quais pertencia. Seria uma forma de desonerar o custo da máquina pública e utilizar o dinheiro correspondente para atender a necessidades mais urgentes do que alimentar salários de prefeitos, secretários, vereadores, o funcionalismo no geral e, pior que tudo, a corrupção sempre presente. No caso do Paraná, com toda certeza poderiam ser eliminados 200 municípios, ou todos os 272 que não têm como sustentar-se. Haveria uma enorme economia de gastos com funcionalismo e as populações respectivas passariam a ser melhor beneficiadas. Se cabeças inteligentes deste país inclusive alguns juristas defendem a idéia, então ela não deve ser absurda, mas algo possível.

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