Retomada econômica
A queda da taxa de desemprego, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o aumento de 1,7% da renda do trabalhador em agosto (estimado em R$ 1.883) podem indicar que o mercado de trabalho mostrou uma certa imunidade a um cenário de expectativa de redução de consumo e de um Produto Interno Bruto fraco neste terceiro trimestre. Além disso, a inflação menor contribuiu para a alta dos rendimentos do mês passado, junto com aumento dos valores nominais proporcionados por algumas negociações salariais.
No entanto, apesar da leve melhora não há sinais consistentes de que a economia vá melhorar neste segundo semestre. Carta de Conjuntura, também divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), aponta que a ocorrência de três fatores podem influenciar na formação de um cenário não tão positivo: as manifestações populares ocorridas em junho e julho tiraram o otimismo do empresariado, a recente desvalorização do real e a perspectiva de um aperto monetário mais forte do que se previa. O Ipea ainda projeta redução no consumo das famílias, puxado pelo mercado de trabalho e pela redução na concessão do crédito.
Também não há sinais de retomada da produção industrial. Se o cenário econômico continua com uma perspectiva não muito positiva, é preciso a implementação de medidas que tentem reverter a situação. O "clamor popular" também pedia mudanças na política econômica mas até agora não houve qualquer sinal de alterações.
As desonerações de alguns produtos, como forma de estimular o consumo, já dá sinais de que não surtem os mesmos efeitos iniciais. Obras de infraestrutura, tão necessárias ao País, por enquanto parecem não ser o foco da atual administração pública. Não há estímulos que beneficiem toda a cadeia produtiva, apenas medidas pontuais. Uma nova política econômica precisa ser implementada.





