A saída de Fernando Francischini da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), anunciada ontem, pode representar a retomada do diálogo entre governo do Estado, servidores públicos e a sociedade paranaense. Depois de uma semana tensa, em que já haviam deixado o governo o secretário de Educação Fernando Xavier e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel César Kogut, a saída de Francischini pretende "colocar um ponto final" no trágico episódio da violenta repressão contra os professores que deixou mais de 200 feridos no último dia 29.
Sem entrar no mérito se a polícia foi provocada por alguns manifestantes e daí a reação, o caso repercutiu negativamente até no exterior. Além disso, o Ministério Público apura violações aos direitos humanos dos manifestantes. É importante que tudo seja apurado, esclarecido e os responsáveis, punidos. É um episódio que marcará por muito tempo a história do Estado.
No entanto, o próprio governador Beto Richa sinalizou a retomada do diálogo ontem por meio das redes sociais. "Não pouparei esforços para restabelecer o diálogo com os servidores e com a sociedade paranaense, porque é nisso que eu acredito, no entendimento, na busca do bem comum". É importante esse posicionamento do governador porque o atual momento pede calma. É preciso a retomada das negociações com os professores, que estão em greve há 15 dias.
A paralisação prejudica quase 1 milhão de alunos da rede pública de ensino, além dos universitários. Os dias parados já impactam diretamente no ano letivo. É preciso uma solução rápida para esse impasse, que só será resolvido com diálogo e bom senso. E, nesse contexto, é também urgente a necessidade de reaproximação da Assembleia Legislativa com os paranaenses. O episódio também respingou nos deputados que mostraram total distanciamento da população. De todo modo é um episódio que o Paraná precisa superar.

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