No meio empresarial, entre acadêmicos de economia, enfim de todos os lados, espocam dúvidas: em 2010 teremos a retomada do crescimento? Ou em 2010 continuaremos tendo mais sorte do que juízo?
Dependendo a resposta que você espera, ela veio ontem na afirmação do Presidente Lula garantindo que, em 2010, a economia brasileira vai crescer ''de forma sustentável''. É interessante. É bom que o presidente transmita sempre ideias de otimismo. E que as pessoas levem isto ao pé da letra - sem questionamento (por favor!) -, porque a previsão ajuda a entrar no ano novo com o pé direito, como dizem. Mas não queira saber a fórmula, nem espere que o ministro Mantega venha esmiuçar a previsão do
Presidente.
Crescer, a economia sempre cresce. Mesmo que vegetativamente, na exata medida da expansão dos fatores de produção e da demanda. Até porque a taxa que o Brasil tem apresentado, em média 5% nos últimos anos, apenas empata com as médias de demanda: na densidade demográfica, na educação, etc.
É bom não esquecer de alguns fatores, não de crescimento, mas de estabilidade: poupança interna, infraestrutura, política fiscal (porque após a farra da gastança vem a ressaca). O Brasil está apostando muito no crescimento localizado - o Presidente até citou alguns setores - e sempre é bom ter cuidado com as bolhas.
Coincidentemente, o ex-presidente do BC, Armínio Fraga, exalta o comportamento da economia mas não deixa de fazer referências ao risco das bolhas de consumo e de crescimento.
E é bom lembrar de alguns dos ensinamentos de Paul Samuelson, que morreu ontem aos 94. Ele falava de um princípio elementar: controlar a gastança, antes de festejar o expansionismo. Primeiro americano a ganhar o Nobel, criou bases para a Economia Moderna. O professor do Massachusetts Institute of Technology era famoso pela aplicação da análise matemática rigorosa ao equilíbrio entre preços, oferta e demanda. Mantega
sabe disso.
Por conta das bolhas, também ontem, o ex-presidente do Fed (BC dos EUA), Alan Greenspan, fez um alerta sobre a ameaça inflacionária que ronda a maior economia do mundo, a dos EUA.
E é nas bolhas que o empresário de Cambé, Luiz Carlos dos Santos, aposta para implementar suas vendas. De Castro, ele telefona à Redação e comemora a boa performance do País, e reconhece: Nossa economia é sazonal e temos que aproveitar o momento. Na prática, Santos referenda que Lula está certo.

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