Criada para disciplinar o uso de fachadas e outdoors em Londrina, além de reduzir a poluição visual na cidade, a Lei Cidade Limpa expôs o que há muito estavam escondidos atrás de letreiros, displays etc: pinturas mal-feitas e mal-conservadas, bolor, paredes com aspecto envelhecido, fiação à mostra. A medida, concebida para embelezar a cidade, em algumas regiões apresentou resultado totalmente inverso.
O primeiro passo para a resolução desse problema foi dado ontem. A Prefeitura de Londrina anunciou que vai dar desconto no IPTU para comerciantes que fizerem a revitalização e manutenção das fachadas. A redução no carnê pode chegar a 25%. O projeto seria protocolado ainda ontem na Câmara de Vereadores.
Segundo dados da prefeitura, a legislação pode beneficiar cerca de 17 mil comerciantes. O desconto independe do valor histórico da construção, mas para receber o benefício em 2012 será necessário fazer a reforma neste ano. O índice aplicado depende do valor venal dos imóveis, informa a CMTU.
Comerciantes ouvidos pela FOLHA apoiaram a medida, mas levantam dúvidas. Os inquilinos receberão algum tipo de benefício dos donos de imóveis, que serão beneficiados pelo desconto? Além disso, como será compensada a redução na receita da cidade?
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), que conseguiu liminar para adiar o início da fiscalização, considera o anúncio ''bem-vindo'', sendo uma forma de recuperar o patrimônio histórico da cidade.
Apesar das questões ainda em aberto, a medida ajuda a melhorar o visual da cidade. No entanto, a revitalização é uma consequência lógica da adequação à nova lei.
Revitalizar as fachadas das empresas, com incentivo ou não, pode ser sinônimo de bons negócios, quando a ''imagem é tudo''. Basta responder a uma questão muito simples: entre uma loja bem cuidada e outra com aspecto ruim, qual o consumidor vai preferir entrar?

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