Passado o resultado das urnas, uma das principais tarefas da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) será acalmar os ânimos do mercado financeiro. Como já havia dados sinais durante o período de campanha eleitoral, o Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) fechou com desvalorização de 2,77%. A queda foi puxada pela baixa recorde das ações da Petrobras. A cotação do dólar subiu para níveis historicamente altos e alcançou R$ 2,5211 (maior valor desde abril de 2005).
Essa rejeição ao conhecido indica que o mercado não enxerga perspectivas de mudança na atual política econômica que crie estímulos ao investimento e contribua para tirar o País da estagnação. O atual modelo baseado no consumo interno dá sinais de esgotamento e, mesmo assim, há um cenário de inflação em alta (6,75% no acumulado dos últimos 12 meses e, portanto, acima do teto da meta) com projeção de crescimento próximo de zero.
Para 2015, as perspectivas também não são das melhores. Há o represamento das tarifas controladas, como as da energia elétrica e da gasolina, o que pode contribuir para manter a inflação em alta. Somado a isso, o nível de confiança de empresários e consumidores está baixo, o que significa menos investimentos, menos empregos e, por fim, menos consumo. Além disso, a economia mundial ainda ensaia uma retomada, o que pode manter a balança comercial com resultado ruim.
Agora, o mercado está com as atenções voltadas ao nome do novo ministro da Fazenda. Como a própria presidente já afirmou que a pasta terá novo comando, é importante que o anúncio seja feito logo. Seria uma sinalização se há a pretensão de fazer mudanças na atual política ou não. Não há motivos para esperar até janeiro. A maioria dos brasileiros deseja mudanças e é importante que a presidente faça alguma indicação de que promoverá os ajustes necessários.

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