Resultado ruim para o emprego, de novo
O fraco desempenho da economia já impacta fortemente no mercado de trabalho. Em fevereiro, pelo terceiro mês consecutivo, o País fechou vagas de trabalho com carteira assinada. Além do resultado ruim do comércio, há reflexos da Operação Lava Jato, que atingiu fortemente a construção civil. Levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho, aponta que foram fechadas 2.415 vagas, o pior resultado para o mês desde 1999.
Na contramão, o Paraná obteve o segundo melhor saldo na geração de empregos em fevereiro. Os setores que mais contribuíram para o resultado foram os serviços e a indústria de transformação. O desempenho é importante porque aponta que mesmo em um cenário de crise o Estado não fechou postos, o que ajuda a manter o consumo em alta.
O problema é que, no geral, há um clima de pessimismo com o futuro do País. Empresários estão segurando investimentos e as famílias têm consumido menos. Outra questão importante é que com o aumento da tributação sobre a folha de pagamento, que deve ocorrer a partir de abril, é provável o corte de muitas vagas porque o período é de retração. Por isso, é preciso cuidado com a questão. Medidas de ajuste são necessárias, é indiscutível, mas sobrecarregar o setor produtivo e a população poderá ter efeito reverso ao objetivo que é aumentar a arrecadação.
Um cenário de desemprego agrava ainda mais a situação do País. A avaliação é que as demissões não ocorreram anteriormente porque o empresariado estava "segurando" a mão de obra, devido ao alto custo de demissão e de treinamento, em uma possível retomada . Agora, sem sinais de melhora e em um clima de extrema incerteza não há mais alternativa. Certamente a economia crescerá menos e uma recuperação será mais difícil. Por isso, a adoção de medidas que apontem para uma retomada é de extrema importância.





